sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARTOGRAFIA: geografia do amor

GEOGRAFIA DO AMOR: PORTO SEGURO OU AREIA MOVEDIÇA

Amig@s, iremos iniciar uma nova travessia, uma pequena travessura...
A proposta é a de construirmos juntos uma cartografia... uma e outras mais...
Cartografar é desenhar caminhos, verificando linhas e fluxos, planos e miragens... Busca-se conhecer, provisoriamente, as linhas de um tema: suas linhas de captura e de fuga...
Nosso trabalho se dará ao longo de um mês... Vamos agregando através de comentários nossas ressonâncias: teóricas, vivencias, musicais e visuais...
Esta postagem inicial funcionará apenas como um disparador...
Afinal, o que estamos fazendo de nós no campo do amor?
O que pode um corpo e que não ousamos?
Sonhos? Pesadelos?
Um poema, uma canção...
Uma foto, uma pintura...
Façamos nossa viagem e vamos , anotando , neste diário de bordo:
... amar é amar, e o resto é silêncio...



SOBRE O AMOR

                                                                                Jorge Bichuetti

“O amor é uma companhia./ Já não sei andar só pelos caminhos,/ Por que já não posso andar só.” Eis a sabedoria de Fernando Pessoa. Sabedoria de quem aprendeu a auscultar a própria natureza.
Entre a realidade e o sonho, situa o universo do amor.
“Quem ama inventa as coisas a que ama...” Assinala o poeta Mário Quintana. De fato, projetamo-nos no outro. E amamos como se o outro fosse um prolongamento, algo complementar ou parte de nós.
E chegamos a admitir que já não é possível viver longe do coração amado.
Sofremos, angustiamo-nos.
Paralíticos, já não andamos pelos caminhos.
Fundidos, já não desfrutamos de serenidade na companhia. Tememos perder... Queremos aprisionar e ficamos prisioneiros.
Se perdemos a pessoa querida, sentimo-nos de alma amputada.
Assim, vivemos em pânico.
O amor – fonte de cumplicidade e ternura, de aliança e paz – torna-se inquietação e dor, medo e isolamento.
Adoecemos de amor, tanto quanto sofremos de carência afetiva.
Encruzilhada: amar-companheiro de viagem ou amar-prisioneiro da ilusão?
Seguindo juntos, temos companhia, não a posse do outro.
Com a posse do outro, perdemos duplamente; perdemos a companhia, e a nós mesmos.
Inventar amor não parece frutífero, se simbioticamente fazemos do outro apenas um espelho das nossas ilusões.
Caminhar amando exige-nos a aventura de sonhar, sonhar sonhos vividos no risco da estrada.
Assim, sobrevive o amor que se liberta das amarras da identificação e da possessividade, e torna-se relação solidária de companhia mútua, “um estar perto ainda que distante”.
... Mas um estar a caminho, recriando a vida para que esta frutifique sempre.
Amar, assim, dá saúde, ainda que com alguma muita saudade.


PRAZER

                                                                                jorge bichuetti

                                                                   O calor de um corpo
incendeia
e o chão, antes árido,
vê-se, de repente,
chão estrelado.

O ardor de um corpo
enlouquece
e o céu, antes distante,
entranha-se na pele
gerando
sonhos alucinados.

Corpo no corpo,
corpos entrelaçados...
Se é amar, a vida entoa
no encontro dos pelos
um arrepio
que faz sussurros de ninar.
E, assim, adormecemos um.

                                                             **********************
ODE AO AMOR

              jorge bichuetti


Amo. O amor só sente
o peso de um abraço e o apreço de um carinho.
Amo. O amor mente
e tergiversa cansaço,
se não juntamos nossos desejos num vôo de passarinho.

Deus vê, escuta e sente:
somos metade da metade,
metades que tímidos, ocultamos;
e, assim, nem sabemos
que nele somos um.

Tua solidão espera minha presença;
e minhas lágrimas lamentam tua ausência.

Somos: amor, luz; fogo e riacho.

Amo. teu amor é Deus;
e o meu amor, uma longa espera.
Amo. Meu amor é clamor no deserto da solidão.

Amaremos... Eis o mistério:
amar é hoje, um trago de vida,
é fazer de dois, tantos
e, ao mesmo tempo,
um só coração.

**************************************

AMOR E SOFRIMENTO

                                Jorge Bichuetti

“Mora na filosofia, prá que juntar amor e dor”.
Ressoa na voz de Caetano e na mente amontoam-se reflexões e textos, relatos de vida e lembranças do já vivido: a humanidade enfrenta no amor uma problemática onde se conjugam lágrimas e risos, espinhos e flores.
Ultimamente, o amor invadiu os consultórios e tornou-se em suas desventuras uma questão de saúde.
Freud - estudando a civilização ocidental - conseguiu perceber que modo de se vincular da paixão envolvia uma simbiose. Denominou-a simbiose fisiológica.
A clínica desvela este envolvimento simbiótico do amor quando nota uma sensação de morte oriunda da perda do ente amado. Perde-se um grande amor e se sente como se tivesse perdido toda a existência.
É a dor do amor-dependente.
Nele, o outro é um complemento, um objeto sobre o qual se projeta um quantum de si.
Estudos da patologia vincular demostram que toda dependência é, de fato, uma co-dependência.
Deleuze-Guattari ampliaram a compreensão do desejo e do vínculo amoroso. Para eles, o inconsciente não prende a lógica idealista de um objeto único. O objeto se constitui no encontro e o homem seria, assim, potencialmente capaz de energizar outros objetos. Desmistificam, igualmente, a natureza sexual dos encontros, multiplicando, deste modo, as fontes de energização da vida e de felicidade.
Esta visão poderia parecer propulsora de um funcionamento promíscuo, contudo, ela funciona destruindo o narcisismo do ciúme, da exclusividade e da competição peculiares ao modo de amar - dependente.
Inclusive Guattari, no texto “Por uma nova suavidade”, critica no amor dependente a reificação do ritornelo edípico e no amor livre, outra versão do narcisismo, as máquinas celibatárias. E ele, audaciosamente, então coloca que a verdadeira libertação do homem no amor se situa na construção do vínculo como solidão compartilhada.
Baremblitt também ousou. Num diálogo inesquecível afirmou certa vez que a ilusão de uma não-simbiose era paralisante e infértil e assim tão-somente nos restaria a potência das múltiplas simbioses, pois circulando entre uma multiplicidade de dependências seriamos, finalmente, independentes.
Independência ou morte? Nem tanto. Todo amor vale a pena. E vale suas penas. Independência, sim. Independência e vida: amor cúmplice, solidário. Muito amor. Amores. Amor-paixão, ternura, amizade, companheirismo... Amor.
Amor. Finalmente, amor. Não o “Amai-vos um a um”; mas, o fraternal, “Amai-vos uns aos outros”... Amém!...

                                                    *******************
 

Ò! LINDO LIMBO

                                                                                 jorge bichuetti

És bela, flor se abrindo.
És dúbia, flor se fechando...
Tudo em ti é lindo.
Vejo-te faiscando vida, porém, temo
a morte que me assombra
de te saber estrela de uma outra constelação;
de te saber ave de bela plumagem no meu campo em extinção



És bela... Mas de que me vale teu mel
se meus lábios ardem secos?
És ave... Mas de que vale tuas asas
se me vejo prisioneiro do chão?...

                        AMOR PLATÔNICO

                                                 jorge bichuetti

Belo! Sinto humilde ciúme,
mesmo amando ternamente,
pois, és o céu, sol e o cume
de tudo que o homem sente.

Farol! Sigo o teu perfume,
vejo-te tendo por lente;
na escuridão, és meu lume,
a magia da mi’a mente.

Amar, basta. Não precisa
selar a correspondência;
pois, areja: pura brisa.

... Mas pode virar demência
quando a dor fere, desliza,
despertando-o da latência.

                                           ANATOMIA POÉTICA

                                                                         jorge bichuetti

Tens corpo: o corpo grita.

Tens olhos: os olhos sonham.

Tens estômago: o estômago batuca.

Tens pulmões: os pulmões cirandam
uma melodia de tirar o fôlego

Tens lábios: de mel, morango e gabirobas...
Tens lábios...

E eu só sei beijar...

19 comentários:

Samara disse...

MUTANTE
Composição: Rita Lee/Roberto de Carvalho

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas
Dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio da buginganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim
Que sou romântica!

Quando eu me sinto
Um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma
De toda mágoa
Depois eu passo prá outra
Como Mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim
Que sou romântica!

Kiss me baby, kiss me!
Pena que você
Não me quis
Não me suicidei
Por um triz
Ai de mim
Que sou assim
Romântica, assim!
Romântica! Romântica!
Yeh! Yeh! Yeh!

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas
Dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio da buginganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim
Que sou romântica!

Kiss me baby, kiss me!
Pena que você
Não me quis
Não me suicidei
Por um triz
Ai de mim
Que sou assim
Romântica, assim!
Romântica! Romântica!
Yeh! Yeh! Yeh!
Oh! Oh! Oh!

Como Mutante
No fundo sempre sozinha
Seguindo o meu caminho
Ai de mim
Que sou romântica!
Romântica, assim!
Romântica!
Yeh! Yeh!
Romântica!
Oh! Oh! Oh!
Yeh Yeh Yeh! Yeh Yeh Yeh!

Bj
Samara

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Comentário encaminhado por lincoln:
PARA SE VIVER UM GRANDE AMOR...

Histórias de loucos normalmente tem conotações humorísticas, trágicas, paranormais ou viram filmes sobre serial killers. Gostaria, entretanto, de contar uma que nada têm a ver com esse tom depreciativo e hollywoodiano. Aliás, seria interessante dizer que tais posicionamentos já fazem parte de mecanismos defensivos culturais antigos, assim, podemos nos eximir da loucura que habita nossas emoções e pensamentos mais íntimos. À medida que louco é sempre o outro, ficamos seguros de que pertencemos ao time dos chamados normais − como se houvesse um!

Queria contar um fato que vivi ano passado num grande hospital psiquiátrico, ao tomar conhecimento de uma história triste, singela e belíssima!

Lino, morador de um setor para pacientes crônicos estava internado há mais de trinta anos. Idoso, sem ninguém no mundo, vivia ali seu universo, isolado, arredio, sem palavras, desejos, reivindicações ou qualquer noção sobre o lado de fora. Muito adoecido dos pulmões, já se encontrava no estado terminal da vida.

Num dado dia, acamado e debilitado, falou pela primeira vez, após anos no mais profundo silêncio. Todos se assustaram e foram saber o que desejava. Lino pedia que sua psiquiatra fosse até ele. Logo a chamaram e esta se sentou ao seu lado, não menos espantada que os outros! Olhou para a médica com uma ternura jamais vista e disse que queria confessar-lhe algo, mas pediu que guardasse segredo. Contou que tinha um grande amor na vida, um único e verdadeiro amor que ninguém jamais soube. Ela, surpresa, sem ter muito o que dizer, perguntou quem era e por que não teria vivido esse grande amor? Lino, velho, louco, disse acanhado, com voz trêmula, quase apagada, que o único e verdadeiro amor de toda sua vida, por quem justificava cada segundo dela se chamava Branca de Neve!

Tirou do bolso um papel amarelado, rasgado, trazendo a figura da pequena dama de Disney. Pediu à médica que guardasse o segredo e colocasse a foto de sua amada junto dele quando fosse enterrado − sabia que estava morrendo. Os olhos da doutora se marejaram e, atônita, sem ter o que dizer, apenas assentiu com a cabeça que seu desejo seria realizado. Lino faleceu, de fato, alguns dias depois...

Ouvi toda a história da colega, que me contava com os olhos cheios d’água e não pude evitar que os meus ficassem também. Sem mais palavras saí atordoado e parei diante da janela do pátio central daquele hospital. Pela fresta pude ver os irmãos fraternos, os loucos, andando, sorrindo, gritando e senti muita vida pulsando ali naqueles seres tão singulares esquecidos pelo mundo. Pensei na infinidade de histórias ricas e anônimas que se perdem no abandono que sempre reinou por trás dos muros dos manicômios...

Querido Lino, todo grande amor é um ato de extrema loucura e coragem. Felizes daqueles que podem vivê-lo. Fique em paz com sua princesinha encantada, onde quer que você esteja.



Lincoln Almeida-Hospital Américo Bairral (ITAPIRA-sp)

AGOSTO DE 2009

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Verde rosa, mangueira...
Doces amores de um tempo
onde os tamborins tocavam
descompassando meu coração...
Verde rosa, saudade...
Fel náuseas e lágrimas,
o amor passa, deixando-me
perdido,, sem saber onde
mora, agora, meu próprio coração.
jorge bichuetti

Samara disse...

Paradoxo

O ser humano é ambivalente. Conhecido e estranho, próximo e distante, transparente e opaco. O ser humano canta e protesta, dança e agride, congrega e dispersa. O ser humano é diáfano e indevassável, lúcido e nebuloso, acessível e inabordável. Circula pelas ruas, mas também recolhe-se na intimidade. O ser humano expande-se festivamente e tranca-se amargamente. É lógico e ilógico.

O ser humano é torrente de amor. Amar é expressão de vida, êxtase, paixão, impulso vital. É Eros. Mas o ser humano pode também gotejar ódio feroz. O ódio é filho de Tânatos. O ser humano é mistura de Eros e Tânatos. Quando o amor se perverte, converte-se em ódio implacável. Seres que se amavam apaixonadamente passam a odiar-se rancorosamente. E o “amante” chega a assassinar o “ amado”.

O ser humano é oscilante. É paradoxo. Avança e recua, atrai e expulsa, ergue-se e recai, edifica e pulveriza, arrisca-se e amoita-se. O ser humano não é apenas herança. É decisão. É gênese existencial. É conquista de todos os dias. Lidar com o ser humano é lidar com o paradoxo.

Trechos do livro “ Antropologia: ousar para reinventar a humanidade” de Juvenal ARDUINI

Assim como o ser humano é ambivalente e paradoxal também assim é o AMOR. Queremos amar e ser amados, queremos exclusividade, mas também queremos ser livres. Concordo vom você Jorge, quando diz que "Caminhar amando exige-nos a aventura de sonhar, sonhar sonhos vividos no risco da estrada. Assim, sobrevive o amor que se liberta das amarras da identificação e da possessividade, e torna-se relação solidária de companhia mútua, “um estar perto ainda que distante”.
... Mas um estar a caminho, recriando a vida para que esta frutifique sempre.
Amar, assim, dá saúde, ainda que com alguma muita saudade."
O mais difícil talvez seja conviver com a "saudade", com a solidão, e mais ainda com a escravidão de servir a um único amor, e daí a necessidade de se inventar outros modos de amar, outros modos de viver e dar sentido à vida. Uma coisa pra mim é certa, nenhum tipo de amor romântico, por mais sedutor que ele seja, é capaz de aplacar o desejo de liberdade e de integração com o universo. Ai de mim que sou "romântica"! O malabarismo é grande meu amigo... rs
Beijos, Samara.

alexandre disse...

SONETO SOBRE O DIA DE HOJE:

O dia de hoje não possui memórias,
Como se ontem não tivesse existido,
Nem deixado registro ou histórias,
Como sonho estéril e descabido.

Que dia é este tão misterioso afinal?
Qual seu tom, sua rota ou vibração;
Desprezado como fruta podre no quintal,
Ou baile sem festa, música ou animação?

Como co-existir hoje sem ontem,
Amanhã sem o fruto de agora:
Quimera inútil que o demônio adora;

Porque se de fato é o que se diz,
O dia de hoje é aviltada utopia...
... pois é hoje o dia de amar e ser feliz.

Camila Bahia Leite disse...

AMAR...
Primeiro veio o sorriso
Depois a vontade
O desejo
Em seguida
O encanto do toque
Carinho
Beijo
Sentir algo mais
A energia do sol em noite de lua cheia
Abaixo das estrelas
Fabricamos ilusões
De sorrisos algodão-doce
Divertidos
Meigos
Espontâneos?
Momentaneamente sim
Entre loucuras inocentes
Brincamos
Com auilo que somos e sentimos
Com o que aceitamos que somos
Com o que aceitamos que queremos
Com o que acreditamos ser
É um jogo relativo
Entre um se esconder
E se achar
EStamos nós a brincar
De fabricar ilusões
Sonhos
Prazeres...
Produzindo realidades!
Camila Bahia

Camila Bahia Leite disse...

"Os caminhos todos temos um dia que passar.
O segredo dessa vida é ir em frente, caminhar.
O amor é uma flor que nasce em qualquer lugar, e essa flor um dia a gente colhe..."
RENATO TEIXEIRA

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Amig@s, quantas linhas tem o amor...
... amor-novelo, enovelado, às vezes, confuso, outras, manta de lã;
... amor-teia,teia de aranha, rede de pegar e prender, outras, rede-de balanço;
... amor- linha de uma pipa que ziguezageia noar, entre nuvens e estrelas;
... amor- linha que me remenda;
... amor- linha que desalinha os trilhos,
amor, linha-caminho-trilha: aventura, procura, investigação...
Um corpo pode amoar e o amor pode libertar /escravizar, atar nós ou atar nós.
Inventemos um amor-companhia,
fabricaquemos um amor-clarão...
Só assim não perderemos o fôlego nos trotear da paixão.
jorge bichuetti

Camila Bahia Leite disse...

O Velho E A Flor

Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor



O amor é assim, simples no jeito de ser, angustiante ao tentar entendê-lo, difícil de definir, mas doce e poético ao viver.
Ele nos dá asas, a invenção está em como escolhemos usá-las.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Amar, amar e amar...
Desejo, atração e carinho...
Caminhos partilhados, sonhos multiplicados...
Suavidade - o outro me potencializa e juntos crescemos, frutificamos, encantados.
Depois, o tédio e o ciúme,a insegurança e a carência surgem em nome da falta querendo capturá-lo e convertê-lo, persiste amor, agora, sem asas, amor aprisionamento Com suas lágrimas e dores, nuvens sem arco-íris e noites sem luar.
Entre as asas e a gaiola, passamos a evitá-lo... Sexo, sim; amor, não... e vamos nos pantanosos miasmas da solidão, conhecendo sua outra face, amor com folhagens, porém, de nascido castrado no sonho de flores e frutos.
Amar, amar e amar..
A raiz de tanta confusão: é que vivemos de faltas sem criar e conviver, guiada pelo excesso da potência abundante que nos inunda o coração. jorge bichuetti

Marta Rúbia de Rezende disse...

Olá Bichuetti, é muito o que tem pra ler no seu blog. Aos pouquinhos. Te encontrei por causa do Deleuze. Ah! Deleuze, quanta vida me trouxe. Trouxe vc agora escrevendo sobre amor. Ai amor. Flara de amor. Viver de amor. Esquecer o amor. É assim que estou: esquecendo o amor. Amor é mais um labirinto. Indo pra outros labirintos amorosos: o conhecimento como o mais potente dos afetos. Então mergulhei num estudo-pesquisa, um projeto de mestrado na UFABC que estou chamando de "O conceito de corpo sem órgãos aplicados a estudos-pesquisas". É uma pesquisa sobre mim mesmo e sobre como venho aprendendo nesse processo de fazer uma tese. Vou ter um macroblog para contar com a participação de pessoas no projeto. Quero lhe convidar pra ser um desses encontros. Se puder, escreva pra mim e aí eu lhe darei mais detalhes do plano (sim é um plano de imanência, por enquanto só tenho linhas de fuga). abraço. Marta mrubia17@terra.com.br

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Querida, em caosmose, inclusive, Guattari incluiu a paixão como uma situação caosmótica.
Espaço liso que se pode potencializar devires , corposem órgãos... Potência que vive inundada de fios de captura. te escrevo.
abraços jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

Oi Jorge, bonito isso que escreveu do Guatari. Aliás, quando escrevi Deleuze, tinha que ter colocado o nome da multidão inteira: Deleuze/Guatari.
Quero comprar os livros do Instituto Felix Guatari. Semana que vem vou ter mais tempo e cuidarei disso.
Estou aqui detalhando um pouco mais o projeto de estudos que vou apresentar pra minha orientadora sexta-feira. Vc sabe como são duras as universidades. É divertido tudo isso. Assim que terminar, vou mandar pra vc. É um projeto aberto, sempre em construção. E está só no começo depois de mil tropeços. É pelo meio que o rio engrossa.
Participo de alguns grupos de estudos em Sampa orientados pelo Amauri Ferriera. Se não conhece, vale dar uma olhada nos blogs dele:http://amauriferreira.blogspot.com/ (escritos dele) . A genial Biblioteca Nomâde organizada por ele onde me abasteço de Artaud, Mil Platôs, Spinoza, Nietsche, Foucault. Só gente boa: http://bibliotecanomade.blogspot.com/ . Aqui, os cursos dele: http://amauriferreiracursos.blogspot.com/
Sobre amor, só estou de férias do caosamor. Amor cansa, esgota. Tira a gente das amizades. Come tudo. Viva a amizade!
beijo e obrigada pela atenção.
Marta
Coloquei uma notinha sobre seu blog no http://uzinamarta.blogspot.com . Rizoma de blogs.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, como é encantador a alegria de um bom encontro.
Atualmente, estou lendo o livro Biografia cruzada: Deleuze- guattari.
Sabe que tenho uma expressão da minha terra: fechado para balanço.
Com o tempo descobri que fechado era aberto a novas dimensões do encanto amoroso: um amigo, um livro, uma flor...
O desejo não tem objeto, objetivamo-lo na subjetividade capitalista que é o que fala Marcuse em Eros e não potência rizomática do amor que num devir amizade quebra a solidão, sem nos desconectá-los com ela, através do que Deleuze chamou sociedade de amigos.
Creio que já postei em lições de baremblitt: certa vez , muito machucado, ouvi dele numa sessão de terapia que para quebrar as dores do amor edípico podemos inventar substituindo a dependência uma multiplicidade de dependência, pois quem ama a muitos e muitas coisas, brilha livre longe da escravidão da paixão. abraços jorge
Irei ver suas dicas.

Marta disse...

Gracias Jorge. É isso aí, libertar-se da escravidão. Sem ser pela abolição. Tô lendo o Artaud, então, estou me ardendo toda. Tenho um filho de 17 anos. Ele tira o maior sarro do drama e do sério. E me faz rir, recuperar um pouco a leveza do ser.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, o riso e a lágrima são potências de vida... Penso que o riso liberta, para fora... nos tira no isolamento, da fragilidade... nos aproxima de um devir criança, animal e guerreiro.
Já a lágrima nos dá a aproximação com outros devires: devir suavidade, mulher, anjo, mineral...
Tenho amiga, Fátima que define o esquizodrama como o drama do devir onde laboratorialmente dramatizamos a vida para desdramatizála no cotidiano e no próprio corpo
Rir-se de si mesmo - é genial.
Rir-se do medíocre - é fascinante.
Pavlovsky - em sua arte terapêutica diz que resgata a arte de brincar.
Em meu bog tem um texte sobre devir criança baseado na história dos êres.
Carinho, ternura, abraços
jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

Olá Jorge, amigo querido, obrigada pelas ótimas reflexões e sobre essa coomplexidade que é o amor. No momento, no entanto, meu potencial guerreiro está mobilizado 100% para outra questão. Hoje minha orientadora acadêmica, uma engenheira, detonou meu projeto e intençao de desenvolver uma ferramenta para cartografar o CsO de modo a utilizá-lo em processos de aprendizagem/cognição. Ela praticamente me expulsou da orientação dela com palavras bem fortes: "ciência não é coisa subjetiva", "isso que vc propões não tem valor, não serve para nda" etc e tal. Não perdi o rumo e disse que não vou desistir, se ela quiser que desistisse de mim, mas continuarei batalhando pelo meu projeto intuitivo (ela detesta intuição, "coisa de mulher"). Não desisto porque quero aprender a utilizar o ferramental da engenharia da informação para aplicações em educação e artes. Ela disse que o Freud não me aceitaria e eu respondi que o Freud disse "por onde passa a ciência, passou há muito tempo a poesia". Ela quase me engoliu.
Vou reapresentar o meu projeto na 2a. feira em bases mais "objetivas". Uma das coisas que ela detonou foi que propus como método a bricolage. Nossa, ela virou um cão quando falei em ati-método.
Desculpe o desabafo. Não publique isso, por enquanto. Gostaria que você me desse a sua opinião sobre o dilema, se puder. Não se canse por isso. Veja o que acha e me diga, se possível.

Helidamar disse...

Apreço
O universo é uma corrente de amor, em movimento incessante. Não lhe interrompas a fluência das vibrações.
Nesse sentido, recorda que ninguém é tão sacrificado pelo dever que não possa, de quando em quando, levantar os olhos e dizer uma frase, em sinal de agradecimento.
Considera sagradas as tuas obras de obrigação, mas não te esqueças do minuto de apreço aos outros.
Os pais não te discutem o carinho, entretanto, multiplicarão novo alento com o teu sorriso encorajador; os colegas deação conhecem-te a solidariedade, mas serão bafejados por renovadora energia, perante a reafirmação de teu cuoncurso espontâneo, e os companheiros reconhecem-te a amizade, contudo, entesouram estímulos santos, em te ouvindo a mensagem fraterna.
Ninguém pode avaliar a importância das pequeninas doações.
Uma prece, uma saudação afetuosa, uma flor ou um bilhete amistoso conseguem apagar longo fogaréu da discórdia ou dissipar rochedos de sombra.
Não nos reportamos aqui ao elogio que estraga ou a lisonja que envenena. Referimo-nos a amizade e a gratidão que valorizam o trabalho e alimentam o bem.
Por mais dura que seja a estrada, aprende a sorrir e a abençoar, para que a alegria siga adiante, incentivando os corações e as mãos que operam a expansão da Bondade Infinita.
O próprio Deus nunca se encontra tão excessivamente ocupado que não se lembre de sustentar o sol, para que o sol aqueça, em seu nome; o último verme, na çultima reentrância abismal.
(EMMANUEL)

Abraços, uma boa noite para você, Jorginho.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Helidamar, que bela mensagem: de paz, reconforto e esperança, Obrigado jorge