sábado, 24 de abril de 2010

DIÁRIO DE BORDO: VIDA E PAZ...

                                                   A MORTE E O CAMINHO

jorge bichuetti
Todo dia vemos a vida sendo ludibriada por una névoa de incerteza que assusta os corações mais viris...
A escuridão e a luz lutam e já não contamos com a certeza de uma vela, que nos garantiu tanto tempo a luz nos momentos que imperavam o escuro véu da arbitrariedade, da exclusão e do massacre...
Tempos difíceis, ontem... Tempo difíceis, hoje...
A morte é uma obra da natureza; mas a realidade desumanizada e vil a rouba e a impõe.
Um dia longínquo, numa cruz assassinado foi a expressão radical e viva do amor.
Num outubro já nem tão distante, outro  jovem que era em si mesmo a esperança em luta, foi igualmente assassinado num casebre da selva boliviana.
Agora, um jovem uberabense silencia, para o mundo, com uma bala sinistra que lhe oculta a palavra gentil e jovial que lhe marcava os passos, em sintonia com seu terno olhar e com seu sorriso cativante.
Dia 9 de abril de 2010 foi assassinado um jovem que era (  e é) vida e paz...
Não era de gangue, nem de drogas... Não brigava na rua, nem era dado às complicações da corrupção, da desonestidade e da vadiagem.
Era simplesmente a vida em busca de paz e a paz desejando-se plenificar-se vida.
Quem explicará tão fatalidade?
Investiga-se... Investiga-se... Investiga-se...
Na espera, perguntamos: quantos assassinados terminam impunes?
Digna raiva, santa indignação: acordai-nos, enquanto existe ainda algumas frestas de luz numa sociedade corropida de escuridão!...
Acordai-nos... queremos vida e paz!
Não queremos a morte que chega sorrateira no escuro da vileza deste mundo de miséria e exploração, de dominação e desamor...
O céu que é mais misericordioso do que o nosso mundo fabricado por nossos governantes ( com a nossa omissão), com certeza encanta e acolhe, nina e vela por eles: a nossa juventude, a nossa gente que parte sem adeus , com a palavra cortada pela violência institucinalizada e pela política da ganância e da opressão.
Um tiro, mil tiros... todo dia, toda hora...
Onde andam as flores?
Onde anda os acordes do velho violão?
Êta, mundinho! Quanta escuridão!...
Simplesmente  se morre no caminho... De fome, de crack, de assalto, de tuberculose e Aids, de desemprego e de abandono, de morte que não morte, é apenas o vazio da vida que foi cortada para que não houvesse o clarão de seus frutos nem o perfume de sonhos das suas flores.
Acordemos, acordemos!...
Reforcemos a luta.... O caminho é longo: e no horizonte da nossa história justiça social e direitos humanos persitem vivos tão-somente nos lampejos das nossas caras e doces ilusões.
Felipe, hoje, deve descansar numa estrela, mirando o chão e fazendo de suas lágrimas um orvalho fecundante para que o dia amanheça e haja um tempo, novo e florido, sem escuridão...
E nós? que fazemos? cruzamos os braços e esperamos.
Já dizia subcomandate Marcos que o tempo da covardia é o tempo do pesadelo.
Esperaremos outros pesadelos para escutar os gemidos gritados pela vida, pela Vida que se deseja Vida Plena?
" Eu vim para que todos tenham vida" E que tenham plena, em abundância...
Cuidemos da vida, ousemos sonhar e lutar...
Vençamos a escuridão... E façamos no caminho das nossas lutas um alvorecer de um tempo de justiça e paz, direitos humanos que humanizem nosso chão que de tão pantanoso já não reflete o estrelado do céu.















3 comentários:

farlei cesar freitas disse...

Jorge talvez não tem nenhuma relação os 2 felipes perdi um filho igual sua cronica me permite postar ela na sua comunidade, resposta parao e-mail farleicesar@uol.com.br, obrigado pela mensagem valeu

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Meu amigo, sempre acreditei nos valores da vida, nos direitos humanos, na solidariedade e na esperança de um outro mundo possível...
A dor da perda de nossos queridos - na fome de qualquer favela, na rua de qualquer bairro co o crack e sua violência... já são motivos de indignação e de conclusão de que o terrorismo de estada serpenteia entre nós...
A partida de Felipe é ainda mais forte: um jovem suave e tranqüilo, com sonhos e retidão no caminhar.
Precisamos coragem para dizer: basta!
UM Basta à violência,um basta à impunidade e um basta à esta vida insegura e temerosa.
Que Felipe possa estar entre as estrelas do infinito e os anjos da bondade são minha fé e minhas rogativas à vida.
E a Terra que deve um dia honrar o azul do céu e verde das matas, clamo: justiça.
um abraço fraterno.
jorge bichuetti

Maria Alice O. Dias disse...

Oh! miséria humana!

Dr. Jorge que palavras expressariam as emoções de um coração entristecido e indignado, pela violência da morte do Felipe? É uma pergunta sem resposta: porquê?

Em que mundo vivemos atualmente? Sentimos que é o mundo do deixa pra lá, pois, não temos nada com isso. Banalizamos a vida. É o mundo da sedução, da pornografia, da pedofilia, da fome, da prostituição socializada, da mentira, do abuso político, da violência, da impunidade.

Que tipo de sociedade é essa? Podemos dizer que no nosso cotidiano, o importante é competir, onde deveria ser cooperar; o importante é viver no individualismo, onde deveríamos compartilhar esta jornada de resgate da nossa possibilidade de viver em comum-unidade.

Ainda vivemos em um mundo e uma sociedade autoritária, onde a submissão e o medo possuem um altar. Felipe partiu, devido a este NOSSO mundo e esta NOSSA sociedade.

Com freqüência, nos sentimos órfãos; nos sentimos perdidos; nos sentimos vagueando à procura de algo. Talvez seja a busca de outras raízes, para substituir as raízes de todo estilo de vida neurótica. Evidentemente, tudo isto que foi mencionado já é bastante conhecido de todos nós.

Meu Deus, o que fazer? Deveríamos começar uma revolução, pois nosso interior grita pela paz. Temos um enorme poder em nossas mãos e que está mais do que na hora de colocá-lo em prática em nome de todos nós, filhos de Gaia e de um único Pai.

Dr. Jorge com muita dificuldade, jamais poderia deixar de registrar meu sentimento, em relação ao NOSSO querido Felipe. Tenho a ousadia de falar NOSSO, pois durante alguns anos, nos idos de 2002-2003 sempre dizia a Regina, que gostaria de ter um filho como ele. Felipe vivia na Luz, conectado com algo sublime que estava dentro dele.

Tive o privilégio de conviver com esta doçura em sala de aula, como professora e fora dela, como admiradora. Um belíssimo rapaz, portador de valores éticos nobres... valores estes em extinção.

Filho amigo, terno, doce, apaixonado pela mãe.

Regina, com o verdadeiro AMOR incondicional de MÃE, sempre presente na vida, na educação, no diálogo com o filho, fez toda uma diferença. Foi a mão que conduziu, que pediu e que fez.

Felipe estava feliz e reconhecia que valia a pena viver, junto com sua esposa e Shofia que está para chegar.

Portanto, se somos filhos de Deus, uma partícula de Sua Luz, como podemos escolher viver nas trevas?