sábado, 8 de maio de 2010

SUPERVISÃO: SOBRE A INVESTIGAÇÃO ESQUIZOANÁLITICA

Querida amiga, " Estrela da Manhã",
Tua carta e tuas angústias falam de uma realidade que não ainda bem deglutida pela academia.
O paradigma científico com sua aura de verdade inquestionável está a muito em crise.
A esquizoanálise advogando o método como processo que se inventa na própria caminhada da investigação, não consegue legitimidade num ambiente paranóico dos que já não vivenciam segurança nos seus procedimentos matemáticos, positivos e normativos.
Como sobrevier?
Como criar fissuras no instituído e abrir possibidades para o novo?
Penso que devemos usar de um conceito caro à esquizoanálise: o de camuflagem.
A cartografia já é um instrumento, se exposto no idioma das pesquisas qualitativas, deglutível.
Trata-se de caçar linhas de fuga e de captura numa dada temática.
Como observá-las e registrá-las?
Por exemplo, pensemos nos estudos sobre Corpos sem Órgãos:
A literatura de Deleuze-Guattari, a hindu e indígena e os relatos psicodélicos da contracultura: nos produzem um panorama fértil.
Na minha visão dois dispósitivos podem enriquecer esta procura:
- a observação direta e os relatos das desterritializações provocadas por alucinóginos;
- e outra, mais acessível: que são os esquizodramas com fortes desterritorializações onde o uso da hiperventização e a montagem de exercícios que geram o desmonte do corpo como totalidade podem produzir acontecimentos esclaredores da temática dos CsO.
Os dados podem ser validados numa análise grupal dos participantes com a vivacidade das leituras que usam o e e o entre, substituindo o é.
Continuemos dialongando e sonhando.
Abraços
de irmão jorge bichuetti















2 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Jorge querido, muita linda as suas postagens de sábado. Quero lhe dar muitos beijos e abraços por elas. Pegue-os aí.
Muitas coisas pra lhe contar. Uma linha (de fuga) para cada uma dessas coisas-acontecimentos:
1) Amor: amor cortês. É o meu desejo agora de amor. Construir um palácio com amplos e luminosos jardins para ampliar e celebrar o corpo sem órgãos do amor.
2) Projeto acadêmicoo: identificar os extratos, ver o que há de inimigo no extrato e o que há de amigo. Descobri coisas boas na rejeição da minha orientadora ao fazer a cartografia do extrato academia/ciência. Traçar as linhas de fuga. O que era negativo, virou potência. Ampliei meu CsO. Em um só dia, resolvi: a) tudo bem, ela quer objetividade, terá: matemática e técnica. Vou desenvolver uma ferramenta, um software para cartografar o corpo sem órgãos. b) ela me desafiou: "se houver um filósofo de alta qualificação que avalie esse seu projeto, então podemos começar a conversar. Tem que ser doutor." Descobri o e-mail do Daniel Lins (grande estudioso, pós doutor na Sorbonne, aluno de Deleuze, autor do "Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos" etc etc etc). Escrevi pra ele, solicitei uma entrevista, consultei-o sobre a possibilidade dele fazer uma co-orientação do meu projeto. Ele me respondeu imediatamente: "inteligente e instigante o seu projeto, vamos conversar". Nesta semana ele estará em SP e vamos nos encontrar.
3) Tomei essas decisões sem nenhum stress, essa é a grande novidade porque sempre fui estressada com os extratos. Ontem, fui pro curso sobre Nietzsche com quatro garrafas de vinho, taças, abridor, pão de queijo (não tão bons quanto os da nossa terrinha - aí que saudade do pão de queijo daí- , mas pão de queijo). Fizemos a aula tomando vinho. No meio da aula, uma sincoronicidade: uma colega do curso que é psicanlista falou com encantamento do Instituto Felix Guatari e do Baremblitt. Eu nada havia dito sobre isso... A aula do Amauri foi brilhante e ele levou a capa do livro que vai lançar daqui uns dias: "Introdução ao pensamento de Nietzsche". Comemoramos tudo isso.
Bem, estou aqui começando a trabalhar na nova versão do projeto. A orientadora-desorientadora-orientadora me deu até amanhã para entregar. Antes de começar, quis passar pelo seu blog para olhar seus jardins. Encontrei nada mais nada menos que Antonin Artaud e sua linda carta para a "Estrela da Manhã". Diálogo, sonho.
Muitos beijos, abraços e até a próxima.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

obrigado, pelas trocas...
Não a vida fora do devir amizade que a ternura-suavidade de se explodir a solidão nas nuvens libertárias do sonho.jorge