sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O DEVIR CRIANÇA E AS PRÁTICAS CLÍNICAS E SOCIAIS NA ATUALIDADE

                                                                                 JORGE BICHUETTI

Pergunta-se frequentemente quais são as consequências do precoce amadurecimento que vive a infância nos dias de hoje.
De fato, a criança perdeu seu espaço e tornou-se uma miniatura do adulto, inclusive com processos educativos e de lazer que não a permitem desenvolver sua singularidade de criança, uma vez  que capturada pela lógica da maturidade, do modo de existir do adulto.
Os estudiosos chegam a identificar uma fragilidade e impotência no adulto, pelo modo que se dá o próprio amadurecimento com uma repressão e anulação do devir criança.
A falta da criança assassinada no processo de amadurecimento nos tornam adultos sisudos, rabujentos, inflexíveis e incapazes de acessar o lúdico e de brincar.
Isto parace funcional numa visão do homem como identidade estável e monolítica, permanente e coerente.
quando vemos o homem e seus fracassos descobrimos que ele possui um repertório de conduta restrito e cristalizado.
José Gil assinala que a potência da criança mora no outrar-se e no brincar.
Brincando, jogamos com a vida e driblamos os problemas com fertilidade, agilidade e criatividade.
Outrando-se, exploramos a multiplicidade que existe em todos como uma virtualidade/realteridade, nem sempre explorada, o que nos faz inaptos a enfrentar situações diferentes daquelas vividas na rotina aborrecida que dominamos.
Nos parece, claro, que não podemos abortar a infância sem amputar as potências da subjetividade humana.
Reflitamos... e busquemos dar à crtiança o direito de ser criança.
Não parece inócuo a situação do Cristo quando diante da multidão afirmou categórico: deixai vir a mim os PEQUENINOS...

2 comentários:

Samara disse...

eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho,
e acho que nunca os tirei
o sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei...
...eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece...
Caetano

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

a alegria é potência de vida e bifurcações de novas vidas que são as vidas que necessitamos para devir liberdade; abraços jorge