sábado, 30 de outubro de 2010

ESQUIZOANÁLISE: A PALAVRA INESPERADA...

                                                                             JORGE BICHUETTI
Se estamos aqui entre deuses e magias alquímicas, me parece valioso apontar algumas assttivas da esquizoanálise, de imenso valor prático, e que permanecem pouco exploradas.
Ela pensa pela vida e vida é conexão imanente entre desejo e produção.
Não há quem inveje o mundo dionísico: prazeres, festas, danças,teatrovinhos, orgias... O território da alegria.
e nos acusamos, frequentemente, por nossa filiação à Apolo: o ferreiro, o trabalhador laborioso e organizado, mas, igualmente, a poesia e a música.
Diz Deleuze que se fazemos uma imersão em dionísio, podemos facilmente cair num plano de alegria autodestrutiva - um buraco negro - pois careceríamos de apolo , o agenciador dos planos de consistência...
Elementar, meu caro amigo... O surprendente está afirmação de Deleuze de para esta síntese ou maquinação, devemos entender que nunca a iniciativa parte de Dionísio... apolo é o agenciador deste encontro e a ele que devemos recorrer  no sentido de inventar uma vida de conexão entre dsejo e produção...
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Em la Borde, uma clínica revolucioonário, há´algo que refere imprescindível à vida: a clínica dos transtornos mentais, mas, também, ao enriquecimento de todos nós, inclisive, do nosso processo de singularização e multiplicidades.
Se alguém vive de trabalhos braçais, obrigatoriamente, é levado ao choque de uma atividade intelectual-artística; e se um intelectual chega na sua programação necessariamente conterá algo de braçal...
Por exemplo, sou bancário, manuseio computadores e faço academia: na minha programação constará hipoteticamente o balé, a horta, a música, a pescaria...
Um operário do campo terá que vivenciar o computador, a pintura, o clube de poesia...
Estamos falando da potência que uma atividade extrangeira ao nosso universo de vida tem sobre o nosso psiquismo, abrindo canais e permitindo a emergências de desejos que se encontravam inacessíveis...
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Discutindo dependência química, a esquizoanálise pontuou dois novos elementos fundamentais para entender e intervir  nesta problemática:
- o uso é uma experimentação vital, um desejo de amplificar o psiquismo, que pode cair no buraco negro da repetição e ,assim, na antiprodução;
- e que é mais valioso é que as drogas são reveladores da superação do funcionamento psíquico baseado no sensorial, nas sensações; - dominante na análise freudiana - e que marca um novo momento onde começa os investimentos mentais se concentrarem no intuitivo, nos modos de percepção para-lógicos...
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Todos queremos ter a solução para o outro, e Guattari de forma brilhante diz que se trata de NÂO ATRAPALHAR...
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Estas pequenas reflexões nos fala do quando podemos tornar potentes nossas vidas, escutando e vivenciando - com ousadia e prudência - a esquizoanálise que reintroduzindo a diferença, a multiplicidade e o devir nos convoca para que reinventemos nosso próprio existir.

2 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Apolo , o agenciador dos planos de consistência...e a ele que devemos recorrer no sentido de inventar uma vida de conexão entre desejo e produção...

Adorei isso Jorge. É isso que eu preciso. Apolo. Tendo Dionísio. Preciso de um pouco de Apolo. Por isso, a esquizoanálise.

Se vc topar, vamos introduzir algo novo (creio que inusitado, mas não tenho certeza) na academia: a esquizoanálise como parte do "método" de pesquisa científica. O pesquisador que pesquisa a esquizoanálise é esquizoanalisado.

Agora vou dormir. Hoje , Dionísios total. Tomei todas....

beijo
Marta

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Pleno acordo. Escrevi uma monografia e ela me foi uma aventura, uma terapia e umaaaaaaaaaa invenção: é a esquizoanálise e a produção do conhecimento.
Amanhã , te mando, não me permita esquecer. abraços jorge