domingo, 28 de novembro de 2010

DIÁRIO DE BORDO: AS TRAMAS DA INSÔNIA

                                                                                      JORGE BICHUETTI

O sono não chegou... Estou na estação, de malas prontas e chapéu na mão... Contudo, ele tarda... Ou será que eu apressei a vida e quis cessá-la cedo demais e e, agora, me atordoo na espera....
A insônia produz inquietação, ansiedade e irritação, tudo o que por si mesmo afugenta o sono num círculo vicioso que nos lega um deserto de desolação.
Penso: causas , motivos ou motivações? As causas se anulam, os motivos se enfrentam e as motivações, se auscultadas, fazem da insônia um momento produtivo e sereno.
Na dúvida, bebo um copo de água com gelo, e escrevo...
Faço aqui uma análise de implicação, dividirei três insônias paradigmáticas. Insônias reais da minha vida atribulada e serena, numa alternância que nem sempre domino... Corre nos trilhos do acaso ou nos solilóquios dos deuses...
Uma vez, depois de trabalhar demasiado, com cansaço e dores, me deitei, calei meus pensamentos e relaxei...
O tempo rodopiou velozmente e nada... Não adormeci. Humildemente, notei que minhas dores eram tantas que me agitavam, tomei um analgésico e, milagrosamente, dormi e sonhei... Sono profundo, repouso garantido...
Outra vez, me vi rolando entre pensamentos desconexos e confusos, numa tentativa inglória de solucionar alguns problemas pendentes... Recordei o sábio Galileu que dizia que a dia basta as suas preocupações... Dei um soco na boca do estómago da minha onipotência e admiti que não tinha ainda dados para solucionar o problema, não havendo nada a fazer, senão adiar no tempo eno caminho. adormeci com os anjos e acordei com os passarinhos...
Ah! Houve uma outra, distinta, insone, me sentia acelerado, com pensamentos fluindo velozmente e com ideias que me encantavam... Cedi... Ouvindo um trio de Beethoven, comecei a trabalhar... Produzi... Criei... depois, fui ver um filme maravilhoso... e terminei a noite, calando os pássaros com a leitura de meus poetas amados. Era apenas uma peralticee do meu relógio biológico...
Aprendi a não me indispor com as insônias... Raraas ou recorrentes...
Negocio e agencio a solução adequada ao momento.
Porém, não dispenso meus auxiliares:  uma sinfonia, um poema, um filme... Uma sessão de relaxamento...
E silencioso diálogo com as forças da vida...
Somente, nunca brigo com ela: a levo no meu brechô árabe-cigano e negocio... Não trapaceio, porém, sempre colocono pacote a garantia de bons sonhos, desperto ou adormecido, os sonhos aquietam a mente e afugentam os fantasmas.


















4 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Dormir é uma delícia. E as insônias também podem ser deliciosas, criativas, potentes. Mas não devemos deixar que isso vire um grande hábito porque nos detona. E é uma delícia chamar o sono. Preparar-se para o sono. Um amor tântrico. Eu tenho as minhas formuletas como apagar as luzes, acender ou não velas, música baixinha (opera ou instrumental), escovar os dentes no capricho com massagens na gengiva, cerimônia do chá ouvindo o diálogo do píres com a xícara, deitar no chão, soltar, fazer escalda pé... Não dá outra, cultiva-se um verdadeiro amor com o sono.
beijo
Marta

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, seguirei suas dicas... preciosas e de uma nova suavidade que parece magia da brisa. abraços jorge

Samara disse...

Jorgito, marcar um encontro com os anjos também pode funcionar como sonífero. Desejar essa possibilidade e sentí-la próxima por meio do sono, pode ser irresistivelmente relaxante. A automassagem, a meditação, a música e os aromas são canais poderosos para um adormecimento profundo.
Bons sonhos...
bjs, samara.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Samara, tentarei... com fé e esperança. abraços jorge