terça-feira, 2 de novembro de 2010

DIÁRIO DE BORDO: O OUTRO SOU EU...

                                                                              JORGE BICHUETTI

Tempo cinza, como os domingos de Montevideo... Melancolia, reflexão... Encontros: uma saudade, um livro, uma canção... Viver é perigoso - diz o poeta... Ando devagar - canta a viola...
E sigo: "o sol levanta e a gente canta o sol de um novo dia"...
Feriado... Tempo de ócio...
A lua sabendo mais do eu, empilhou seus brinquedos e dorme, agora, sobre eles...
Eu penso, sonho...
Eu, um baú de saudades.... Eu, um escriba do livro da solidão...
Não sei como contar meus sentimentos: podia dizer " como pesa a sua ausência", não, assim, seria ingrato, então digo " como me emociona o silêncio da sua presença"...
Esta lágrima é só meu modo de orar...
Vivemos um momento especial e queria contar-lhes... me redescubro a cada minuto e não sei quem encontrarei quando de novo o espelho me revelar...
Tenho aprendido tanto... Errado muito, mas tentado... Eu não me acomodei no terror das tempestades de desilusões...
Continuo um sonhador...
Creio num novo dia de esperança e justiça...
Creio na magia da ternura...
Creio na santidade das amizades...
Creio na revolução... que , também, se chama solidariedade...
O que há de novo? é novo que os velhos sonhos permaneçam vivos e vivos como é vivo o brincar das crianças, as utopias dos poetas e a doação dos guerreiros...
Uma novidade? Lhes conto, meus queridos...
Nunca mais fui o mesmo, depois de ouvir Dona Hebe de Bonafini, gritar com valentia e amor: O outro sou eu...
O outro sou eu... Assim, papai e mamãe, somos uma multidão...
Só desejo hoje isto, viver lutando... viver sonhando...
Porém, agora, com o sentimento de que a ferida do outro é minha, como é minha a sua lágrima...
Como é nosso a esperança e o sonho... como é nossa a luta...
O outro sou eu... Seguirei, assim, com meu povo...
Minha mesma é só essa saudade... Já que o nosso amor com eles - os outros que sou eu- eu na ternura da minha saudade - os partilho e lhes apresento como irmãos...

6 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Eu sou você, Jorge. Tomara um dia eu seja assim um pouco ao menos como vc: poeta, excelente poeta, doce, terno, ativo, trabalhador, amigo.
Fiz um petit post sobre Las Madres. Prosseguindo no encontro rizomático dos nossos blogs, das nossas almas, dos nossos amigos, das nossas utopias, das nossas uzinagens.
beijo
Marta
Bom feriado para todos. Vou continuar a rachar lenha por aqui. Meu machado hoje tá muito afiado e eu tô muito delicada, quase me desmanchando nesse mundo pleno. Vamos ver o que dá essa combinação de machado forte com alma doce. Tudo é corpo. Por isso, uma bela caminhada antes da batalha: a arte de passear.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, somos poetas... e no entre da nossa amizade, nasce fecundas visões: loucas, mágicas, utópicas e passarinheiras...
O machado se perfuma talhando o bálsamo; e a flor descansa e voa, quando o chamado faz greve e se dá ao amor do ócio.
Madres! Guerreiros...
Uzinar é tramar alvorceres rebeldes e na rebelião, voar passarinheiro na dança da fogueira que une festa e labor, numa bricolagem feiticeira,
Beijos jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

"Como me emociona o silêncio da sua presença". Essa me pegou Jorge. Me pegou fundo, pois é assim que venho vivendo: emocionada no silêncio de presenças.
Depois de receber a visita de dois queridos, meu filho e o pai dele (ex-marido, amigo, parceiro) , em que tomamos um café para comemorar a Dilma, agora posso ir pra rua caminhar, passear, acompanhada de silêncios de presenças. Grande demais para mim essa vida. Penso muitas vezes que não posso aguentar.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Deleuze: " somos todos desertos, povoados de tribos, faunas e floras"
Marta - o que escrevi é meu estado atual... Silêncio, presenças... e um canto de esperança no en-canto da espera. Abraços jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

"Encanto da espera". Muito bem meu amigo, também espero, e como. Para mim, a espera já é um pequeno hábito, uma grande saúde. Não me importo se vai chegar ou não a esperança. Enquanto espero, vou construindo uma vida bela.
beijos, Jorge, da amiga
Marta Enkrateia

PS.: Fico preocupada por escrever demais, amar demais, falar demais, ler demais, participar demais, vibrar demais. Espero mesmo é não atrapalhar esse blog e seus fluxos.Muitas vezes, me acho abusando, abusada, abusante. Ó meu Deus, dá- me a medida das coisas, enfia-me goela a baixo a medida do mundo, que eu não tenho.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

marta, sua companhia me alegra, me potencializa e me dá vontade de viver e trabbbbbalhar, em sintonia com os sonhos...
você nunca fala demais, sua presença é luz, farol...
Obrigado pelo seu carinho, jorge