quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BONS ENCONTROS: ELEGIA À AMIZADE

Amizade

"Não quero outra vida que não essa: entre amigos...
Não busco outro nome que não esse: amigo.
E é por isso que lhes escrevo... São quase tudo o que preciso..."

(Caio/Thiago Resende)

Os amigos nos abrem portas surpreendentes quando nos apresentam coisas que nem imaginávamos que poderiam existir. Cores, sons, imagens poéticas que passamos a conhecer por causa deles. Somos gratos a eles porque o que nos apresentam serve para ampliar a experiência dos nossos sentidos: passamos a ouvir, a escrever e a falar de outro jeito, sem termos vergonha de mudar. Quem precisa censurar e reforçar a passividade de alguém não tem como conhecer a importância da amizade para a liberdade humana. Um amigo músico, um amigo poeta, um amigo filósofo, um amigo cientista, enfim, um amigo qualquer que, por meio do que ele faz, é sempre uma provocação para irmos adiante – e não podemos ter outro interesse na amizade de alguém além deste. Precisamos de gente assim, capaz de doar alguma coisa, de gente que podemos chamar, sem erro, de amigo. Com efeito, coexiste na nossa obra alguma coisa das nossas amizades: um, dois, três amigos, não importa quantos são, desde que saibamos que por meio da amizade tecemos de modo grandioso o nosso próprio destino. Desse modo, esculpimos a nós mesmos lentamente, silenciosamente, amorosamente, agradecidos aos que nos doaram algo valioso.

Amauri Ferreira
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
 Vinicius de Moraes

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.


                       Albert Einstein

4 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Jorge, logo cedinho caiu na minha mão Porcelana e Vulcão, do Deleuze, Lógica dos Sentidos. Talvez seja a coisa mais bela que já li na vida. Sobre a fissura... Gostaria que você comentasse, se puder, se quiser, evidentemente, esse texto. E gostaria de publicar no meu blog. Aliás, tô pensando em fazer um "especial" no blog sobre esse tema da fissura. Vou pedir também pro Amauri e Daniel escreverem. Eu tb vou escrever sobre isso. Aliás, escrevi um poemeto uns tempos atrás para Fritzgerald e Ella. Hoje faria melhor, mais delicado. É muito delicado tudo isso.

CANÇÃO DE AMOR

Os amigos de Scott diziam: larga essa louca, ela vai arruinar a sua vida.

Os familiares de Zelda clamavam: você não deve amar um alcoólatra.

Scott e Zelda continuaram a se encontrar.

Scott dizia à Zelda - adoro você minha louquinha.

Zelda sussurava para Scott - como são deliciosos seus beijos de uísque.

Anos depois, Zelda faleceu num hospício, Scott morreu de cirrose.

O caso apenas confirma a tragédia que é a vida e o amor como sua canção preferida.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Querida Marta, aceito o convite... Vamos refletir sobre fissura...
Será um prazer partilhar mais uma vez uma produção contigo. Beijos Com imenso carinho e ternura...
Jorge

Helidamar disse...

Oi Jorjinho tudo bem? Melhorou a garganta? Espero que sim. A amizade é uma coisa que guardamos no fundo do coração, amigos são como diamantes, assim como sua amizade para mim que foi feita atravez de lágrimas em um consultório medico, onde você me disse: Serei de hoje em diante seu amigo e seu médico e assim nasceu uma amizade muito sincera que eu nunca esquecerei. Beijos, boa noite e beijos para lua.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Minha amiga Helidamar: nossa amizade e caminho partilhado, mirando o horizonte das grandes libertações. Co carinho e ternura jorge