quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TRANSVERSALIDADE E RELAÇÕES LIBERTÁRIAS

                                                                           JORGE BICHUETTI

Homem se agrupa e se movimenta na vida, relacionando com pessoas e coletivos.
As grandes opressões se dão com o homem forjando ações de multidão, através de mecanismos de identificação e projeção, baseados no ideal de ego.Este carrasco que introjeta em nós o ideal dos outros como a vida máxima, não considerando nossa s aptidões, desejos e sonhos...
Nietzsche dizia que toda relação era uma relação de poder, relações ativas ou passivas, de dominação ou submissão...
Algo novo surge no horizonte: as relações não necessitam serem de poder, podem ser bons encontros, e, assim, relações de potência... E, também, o homem pode agrupar-se produzindo relações transversais...
Busquemos clarear o que é a transversalidade...
Se eu relaciona e me coloco, perto demais, identificado, sem espaço para um entre, gero relações de baixo grau de transversalidade... Se me afasta demasiado e perco a conexão, anulo a possibilidade do encontro, da relação  e da grupalidade...
A transversalidade é grau máximo de liberdade de singularidade e expressão do outro... Voz, manifestação, diversidade... Contudo, sem um distanciamento que dissolva as conexões de um coletivo...
Não existe democracia grupal, sem transversalidade...
Não existe bons encontros, sem transversalidade..
Não existe autogestão, sem transversalidade...
E não existe liberdade, respeito, direitos humanos, sem transversalidade..
A transversalidade é o espaço necessário e indispensável das relações libertárias...
Um grupo de porcos-espinhos  exemplifica: há uma distância que evita o ferimento invasivo do outro e que sustenta o aquecimento do coletivo...
Se Nietzsche pudesse retomar seus trabalhos acrescentaria a possibilidade de relações de potência, não imersas nas relações de poder... O faria incluindo no contexto dos encontros os graus de transversalidade...
No cuidado...
Na amizade...
Na política...
No amor...
Na educação...
Nas políticas sociais...
Enfim, se não garantimos altos graus de transversalidade, acabamos por anular o outro e a relação, impondo o registro do poder, que pode emergir com nuances de assistencialismo, paternalismo, burocratismo, autoritarismo ou subserviência.
A transversalidade, assim, é o analisador da presença ou ausência de liberdade, singularidade e criatividade nas ações e relações coletivas

2 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Que bom que vc postou. Geografia do diálogo. Um suspiro, um encontro. beijos
Marta

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, andei de cama... Amigadalite e alergia. Fiquei, então, quieto...
Agora, revoltei-me: movimento-me na estrada das palavras e das flores para não cronificar-me numa vida menos vida. abraços jorge