terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ASSIM, CAMINHA A HUMANIDADE... ( 2 )

                                                                   Jorge Bichuetti

Assim, caminha a humanidade...
Buscamos viver e sobreviver; almejamos a felicidade.
No entanto, já vai longe o tempo que se podia dizer com firmeza e segurança, qual era a fonte e onde morava a nossa felicidade.
Senão, vejamos...
Engels, na direção dos estudos efetuados com Marx, aprofundou a tese de que o homem, a natureza e humanidade, se movimentam determinados pelo universo do trabalho.
O trabalho, então, é o ato de transformação da natureza pelo homem; processo no qual, ele, igualmente, se transforma e conforma as mudanças na sociedade e na história.
O macaco se fez homem pelas determinações metamorfoseantes do trabalho.
E seria o trabalho, suas relações homem e natureza, homens e outros homens, que modificando-se num processo crescente de alienação e desvalia que explicaria a vida no presente e as possibilidades do futuro.
Bachelard, o epistemólogo da filosofia do não, influenciado pelo sua paixão pela psicanálise, diz que a matriz das mmudanças se localizam nos desejos e nos sonhos.
Explica: o homem não enfrentou o mar bravio.pela necessidade material ou pelo determinação econômica, ele desejou... sonhou com a aventura e sonhando os seus desejos, superou o medo e desconhecimento, desbravando os horizontes do oceano.
Duas visões de mundo, dois olhares sobre a história...
O que os esudiosos não esperavam era um terceiro e novo fundamento: o ócio...
Dominique de Mase estuda o papel do ócio na criatividade, e diz que a era da vida sendo criada e modificada pelo trabalho, esgotou-se..
Aponta ele o papel do ócio: um agir não produtivo na sua finalidade, lúdico, um tempo livre ocupado pelo brincar, desfrutar, viajar, voar, pelo descansar do laboral com o corpo livre para as outras áreas da vida suprimidas no mundo e no processo de trabalho...
                                               ***
Se nos movemos pela potência, pelo excesso e não pela falta,sim,  pela afirmação, divergência e criatividade... penso que se não se introduz um e ( con-junção) , nesta história, o diálogo fica reduzido ao campo das escolhas pessoais e de grupo que se sectarizam como verdades em oposição ao falso e inválido.
Não estaríamos diante de diversos modos de construção de territórios onde a vida pode se afirmar, transformando-se e se re-inventando?
Não seriam estes elementos, apontados, componentes de um rizoma que maquina a vida e é por esta maquinado.
Maquinações produtivas e inventivas...
Teria o paraíso uma única porta e um único caminho?
Vasculhamos várias ideias, pensamentos e conceitos, todos capazes de confluir numa rede onde veremos a vida se transmutando e se inovando na diversidade complexa da própria existência...
Então, mudaríamos a pergunta: como funciona os caminhos da humanidade nos diversos territórios do existir?
E para onde vamos?
Para a destruição final da vida , se não detivermos os caminhos de morte, inscritos pelo homem-humanidade na própria natureza e na própria sociedade.
Cabe a nós redimensionar o curso do destino....
No trabalho, no desejo, no sonho e no ócio... abundam intensidades produtivas e virtualidades de vida e alegria que necessitam da posição de desejo e vontade de potência, para que coletivamente barremos a catástrofe e comecemos um novo tempo de paz, amor, bons encontros e paixões alegres, o novo e o diferente, a vida liberta e libertária, com o signo da solidariedade cunhando no horizonte uma aurora de espelendor, com todos e para todos...
Assim, caminhará a humanidade?...

                                          

8 comentários:

Anônimo disse...

Respeitando a opinião de todos, me intrometo mais uma vez, com a devida licença do amigo Jorge e já pedindo desculpas pelos erros que sempre cometo, para tentar dizer alguma coisa sobre a natureza humana e arealidade.
Talvez o que se saiba até sobre nós, seres humanos, ainda esteja longe de podermos definir alguma coisa ou de determinar algum caminho para a humanidade. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia (Shakspeare). Nietzsche compreendeu isso e não se arvorou a apontar caminhos e sim mostrar que poderíamos ser melhores se fôssemos livres. Ele sempre detestou o poder do estado, pois sempre percebeu , que depois que um semelhante nosso cruza as portas do palácio, o poder lhe corrompe e a primeira medida que tomam é acabar com a liberdade e embrenhar na corrupção.
A História confirma isso.
Transmutando o que a História nos tenta mostrar, podemos concluir que as coisas não são complicadas, pois se os governos derem educação decente a todos os cidadãos, não explorarem o povo com impostos altíssimos como neste país e punir os corruptos, o progresso e as injustiças sociais diminuirão consideravelmente. Os países ingleses fazem assim e os asiáticos copiaram depois da segunda guerra e estão com um nível de vida dos melhores.
É uma questão matemática e não sentimental, como vc percebe.
Só para saber, eu sou pobre, não sou empresário agrícola e nem industrial.
Só me interesso que as coisas funcionem e com isso possa haver conforto material para todos. Já, a mente de cada um, é uma questão de instintos pessoais e me acho sem o direito de falar alguma coisa.
Abraços e mais uma vez me desculpe.
obrigado

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Caro amigo, é um engano seu, pensar que sempre discordamos. Sim, por exemplo, há dois anos desenvolvi um estudo onde revelava uma alternativa de gerência da vida,libertária, longe dos mandos e desmandos de um estado... que resgatava tres concitos fundamentais: 1. Contrainstituição ( de Bauleo), 2. Dispositivo ( de Foucault) e 3. e implante socialista ( de Machado e Singer)...
São proposas baseadas nos processos, de fato, autogestivos.
Quanto aos valores éticos ( prefiro pensar que eu trabalhe com a construção de um novo paradigma ético e estético ), não valorizo a moral repressiva e coercitiva,nem supressiva... Trabalho com a ideia Nietzscheano, que depois, Foucaul, Deleuze e Guattari, persistiram de criar para si o próprio controle, de dentro para dentro, não de fora para dentro que gera submissão, servidão e homens desumanizados , na seus desejos e potências... Gosto de dialogar com você, embora,não negue minha vinculação hoje , passional, com um ideal de igualdade de vida combinada com a diversidade de desejos e potências... a desigualdade quem condeno é apropriação de uns sobre os bens que são da vida.
Nada é tão claro...
Continuemos dialogando... A divergência, ao contrário da negatividade e da falta, é força ativa e criativa.
Abraços co carinho, jorge

Michel disse...

Bravo Jorge! Nesta divergência caminha a humanidade (esta nossa humanidade); de abismo em abismo, num poço sem fin. E cegos demais pra perceber que o abismo é do tamanho de um deus, que nossa fome é fome do divino, da utopia futurista que aquela Ciência sem ego busca, mas que é capturada quando deixada nas honrarias financiadas pelo Estado...
Engels, Marx e tantos outros filósofos-sociais baseavam suas teorias em um planeta que tinha recursos infinitos e abundantes. Porém, deparamos com a escassez, fome, miséria, desigualdade social que gera violência e estresse psicológico... É necessário voluntariarmos para uma nova ordem econômica, livre da economia do sistema financeiro. Re-inventar o teu estado alternativo de gerência de vida e praticar mais deste estilo de vida! Sermos Epicuristas e não Platônicos ou Socráticos.
E viver mais a intensa sinergia que nos interliga ao planeta, à gravidade solar, ao próximo, num abraço singular e singelo, dotado de ternura e amor!
Deste abraço, envio-lhe o meu!

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Michel, necessitamos protagonizar a mudança. Sonhar, lutar... E, principalemente, vier... Ir já gestando um modo libertário de vida e de partilha. O sistema gera inibições; os outros que o sustentam, organizações e instituições, também, vamos raspando a malha repressiva e de exploração, e inventando a realteridade: onovo virtual consumando planos de consistências nas linhas da própria vida,
Abraços, Jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

Olha pessoal, nem tenho paciência mais de debater esses temas. O amigo anônimo vem com a história inteira para cima da conversa. E que história!!! Que seja ao menos uma geohistória. O amigo bota a história numa linha reta, tira dela todo o sangue. Onde estão as batalhas da sua história, meu amigo? Ou a sua história ideal é um campo plácido?
E por que usa o nome de Nietzsche em vão? Misturar Nietzsche com história complica. O amigo fala em Nietzsche e liberdade. Mas que liberdade essa que Nietzsche fala? Nietzsche é um engenheiro termodinâmico. Ele mexe com forças!!!!!!!! Dinamites!!!!!!! O amigo mistura Nietzsche com conforto. Nietzsche combate principalmente a vida confortável!!! Veja o que Nietzsche fala da história. Pesquise isso. Verá que não há nenhum determinismo na história no olhar de Nietzsche. Jamais Nietzsche diria "sempre foi assim e assim será". Jamais. Nietzsche é devir. Eterno Retorno da diferença. Da repetição que traz a diferença. E Nietzsche não detestava tanto assim os soberanos. Depende da nobreza que portam. Nietzsche foi admirador de Napoleão!!! E adorava exaltar sua hereditariedade com nobres soberanos!!!
História mal digerida + frases soltas de Nietzsche + frase do Buda = fim do mundo.

Ninguém mais pode mais tentar nada. Acabou a história. Fim da história. Vamos ficar todos em casa esperando nossos cromossomos evoluírem?????????????? Vamos deixar os robôs fazerem o que temos que fazer?????????????????

E aí que vc quer chegar?

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, acabei de postar uma singela lembrança de Milton Santos... e ele me afetou muito: o sonho pode... e os que mudarão são os de baixo.
Com Foucault -Deleuze-Guattari, vejo uma multiplicidades de povos, tribos, grupos, pessoas que se situam debaixo, por uma ou outra questão.
Nietzsche - vê u socius com indignação e rebeldia, clama pela vida que realiza com desejo potente afirmado como força ativa na re-invenção do cainho e da vida.
Ele mesmo diz que seus livros de crise _ humano demasiadamenete humano, ecce Homo e aurora; traduziam seu olhar e pensar na fertilidade de um crise-abismo... Adovoga que os acorrentados irão usar da força acumulada ali na dor paara o grande livramento:revolução.
A história anda... Houve um debate sobre a nova era e Baremblitt junto com Arduini, checaram Weil, o da Universidade da Paz, e lhe dizeram que só lhes desencantavam vê-lo pensando sem perceber que tudo se move agenciado por uma
rede de protagonistas...
Abraços, carinhos de uma manhã verdejante na sua alma lorquiana.
Jorge

Marta Rúbia de Rezende disse...

Há momentos para afagos e momentos para uma conversa mais dura. Há muitos momentos na verdade. Há alguns em que a crueldade criativa é necessária. E o motivo de todas deve ser sempre o amor. O amor é o único sentido nobre do diálogo.
abraço
Marta

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Marta, a crueldade e porvindoura se banhada no amor... viva Artuad.
penso que se vamos nos liberando das dominaçõese submissões, o desejo e a agressividade se revelam forças da vida e pela vida.
Abraços, Jorge.
Ps. CsO - pede crueldade e ternura,
um entre Che e Francisco de Assis, o anjinho da natureza.
Beeijos com ternura e amizade, sempre.