sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE BORDO: NAS PROFUNDEZAS DA PELE

                                                                     Jorge Bichuetti

Somos racionais. Cremos num centro regulador. O núcleo fundamental e fundante. O determinante..
Cérebro. Coração. Fígado e bílis...
Contudo, o mais profundo é a pele...
                                                    ***
Madrugado. Só. A Lua dorme... A outra, no alto, vigia os amantes incendiando os fluxos das paixões.
                                                    ***
A pele é o profundo...
Não existem centros reguladores. A vida flui conectando potência e agenciando devires.
Os órgãos estão quadriculados, isolados, mantidos na invernada do fisiologismo interno.
Já a pele: é superfície aberta ao infinito; uma fronteira desmilitarizado entre o eu-mesmo e o eu-mundo... Ali, se operam conexões, encontros, afetações... A fronteira se desterritorializa...se dobra e se desdobra... ramifica e multiplica... Só, ela tece um nós... que não, somente um plural; ela se mistura e já não possível delimitar eu e tu... Somos nós e outros e muitos, uma profusão de vida que se dá nos entre e es da pele profundidade exposta e predisposta a afetar e ser afetada, a vida dela se dá nas trocas e nas expansões e retrações, como se fosse um labirinto de encontros e de paixões...
                                                    ***
Perdemos tempo e vida buscando a profundidade nas cavernas ocultadas pelas matas e cidades de cultura segmentarizada e de instintos pré-fabricados. tudo concreto armado. vida já desenhada no roteiro da razão.
O singelo e o superficial, fluxos abertos e disponíveis, escondem a possibilidade da vida que se encontra produzindo novidades e que de tão banal, é menos vigiada pelos capatazes do sim e do não.
Tudo é vida florescente e frutífera, uma eterna primavera e um céu estrelado na pele da vida que é um devir simplicidade numa arquitetura barroca onde suas dobras permitem que sejamos nós, sem um dentro e um fora.... sem um núcleo comandante... sem vã fisiologia da vida se reproduzindo por homeostase e harmonia do igual que se mantém nos vínculos de lendas previamentes definidas, cada um no seu lugar, cada lugar com sua função...
Os amores se repetem...
Trabalhamos, repetindo..
Convivemos, na mesmice...
Somos a profundidade falsa do cérebro e do coração, num organismo que se mantém sem ousar a aventura de um novo existir.
A pele sente, pensa, fala... Não na língua da razão, nem no fisiologismo do corpo que se perpetua corpo individual, cada vez, mais complexoe e legante, e cada vez menos feliz e potente...
A pele é o profundo...
A simplicidade e o singelo são caminhos alisadose libertos, pois neles , nos desnudamos da armadura que nos contém atrelados a vida de homens racionais e mercantis, sem paixão epoesia, sem a magiia da utopia e sem a liberdade dos devires...
Não percamos a esperança o novo nos arrepia e ele nos chama para uma vida de afirmações libertárias, onde  o caminho se inventa ee onde não somos meros reprodutores dos órgãos e do organismo que nos limita a ser, somente, um homem limitando-se navida com o medo de morrer; e, assim, morremos sem ter a vida vivida na profunda alegria de ser e se re-fazer..

Tudo passa pela pele, e a pele a profundidade do vida reinventado num belo e novo porvir...

6 comentários:

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

maravilha de texto .....uma grande viagem por onde a linguagem pode alcançar ...pbéns .....

À flor da pele

À flor da pele
Saudades do que não foi,
Poesia misturada com coisas,
Lembranças do que não vivi...
Vagas vazias molham meu rosto,
Pelas tardes
Que tarde se foram,
Trazendo um gosto
Que não senti.
O sol morreu atrás dos montes,
A lua ainda não surgiu,
O vento, o acoite
À Flor da pele
Fere, marca...
Essa é mais uma noite
Desde que você partiu...

E, aqui...
À flor da pele
Coisas e poesia

(©by Adilson S. Silva)

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, seu carinho me estimula... A vida nos leva a produzir; agora, se não dialogamos e vemos como o que fizemos afetou... o desânimo é fatal! assim, sigamos numa rede de produção e vida.
Estive no seu blog, um poema... uma vida
Abraços,
Jorge.
PS. Postarei na próxima seus poemas: poesias de doce e terno encantamentos.

Tânia Marques disse...

BEAUTIFUL!!! Tudo passa pela pele, pele que transpira sentimentos, pele que irradia vibrações, pele que roçada por mãos carinhosas, arrepia-se, pele lisa, pele clara, pele escura, pele, simplesmente epiderme à flor do amor. Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, teu comentário é um lindo, belo d. poema... Desjo publicá-lo... Posso?...
a beleza contagia quando se faz poesia e torna um meio de converter a própria "vida numa obra de arte" ( Gandhi )...
abraços ternos e com desejos de uma noite de luar, serenidade e floração de risos e paz na luz do luar...
Abraços, Jorge

Tânia Marques disse...

Claro que sim. Uma boa noite pra você também. Semana que vem, mais precisamente no dia 24/02, retornarei ao trabalho. Infelizmente não terei mais tanto tempo disponível na Internet, mas procurarei sempre que der uma folguinha entrar aqui para falar contigo. Estou vivenciando com muita alegria esse finalzinho de férias na companhia das tuas palavras.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, acordei com a presença da vida, chamando-me.... Férias - tempo de re-posição...Depois, a volta a labuta: construção.... A vida é a estrada.
Somos estradeiros, caminhantes indomáveis.... Caminhemos. Sempre manteremos o vínculo e a co-produção, os bons encontros se revitalizam na diversidade e nas adiversidades...
Abraços com ternura e o orvalho do alvorecer, Jorge