sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SOCIEDADE DE AMIGOS: ENTRE O ABISMO E AS ASAS DA LUA CHEIA, NOSSO ETERNO RETORNO

   Eterno retorno...
           Adilson S Silva

Pássaro voando livre ao vento,
Procurando um lugar, um ninho,
Refém da solidão, voando a esmo,
Infinitas vezes, sem destino.

Perdendo suas penas no tempo,
Indagando sem respostas,
A vida e seus etéreos momentos,
Percorreu caminhos estranhos,

Dentro do silencio, nada além,
Somente pensamentos insanos,
Murmúrios e desatinos.

Sem respostas, cansado por fim,
Decidi ser eu mesmo...
Voltei para mim.

             
















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                    Fernando Yonezawa
Queria que a vida hoje
Tivesse um pouco de ar e luz

Queria que o mundo fosse
Pouco menos turvo,
pouco menos sujo

Há tantos olhos fechados
Corações cerrados
Salas sem saída
Histórias todas findas

Campo por todo lado rodeado
De opacos e duros
Vidraças e muros
Nosso corpo por todo lado carimbado
Nosso coro é sem comida
Nosso couro é sem canção

O que meus olhos agora transparecem
São gotas entaladas
Dores enlatadas

O que meus dedos apontam
São garras empedradas

Cidades sem praças
Ruas sem calçadas
Luas amargas

A tristeza
O mundo sem saída
A vida tão caída e rebaixada
Fazem a gente sentir muito frio
Fazem a gente se encolher
Virar um botão de inverno
Flor de perfume mudo

Os reativos, os reacionários
Os obedientes e cabisbaixos
Os mesquinhos e autoritários
Os maldosos de espírito ralo
Os limitados de corpo esclerosado
Os de vontade acanhada
São estes os vencedores de nosso mundo
Sempre vencem

Nós combatemos e inventamos
Uma vida de criança que mente
Um riso de noite, para um dia demente

Nós combatemos e inventamos
Para que o respiro de nossa garganta
Não cantarole melodias de ar condicionado
Nosso riso a gente dá um jeito de criar
De ter balões cheios de ar
Mas nosso riso não tem jeito de não doer

Mundo mais ainda
Cada dia sem saída
Flor ríspida de perfume mudo
Tanta gente de corpo e alma moribundos
Tanta mania de cheiro nauseabundo
Muito jeito de viver para não ter vida
Mudo mundo parco mundo
Vasto mundo de perfume duro


2 comentários:

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Bom dia meu companheiro de passagem ... vc sempre generoso no seu espaço..
Parabens ao Fernando pelo seu poema intenso ....cuja cadencia me lembrou esse ....

Quando ...

Quando ...
Os olhos são janelas
Por onde não se pode sair
Quando...
Os lábios outrora risonhos
Não podem mais sorrir

Quando ...
Versos tristonhos
Teimam em existir
Quando...
Passos cansados Lentos
caminham para dormir

Quando....
Lagrimas secam ao vento
De um pranto que ninguém pode ouvir,

Quando tudo terminar
E a chuva cair,
Então lavará o pranto , tanto
Que o ausente canto
Faz nova canção surgir

Quando...?
(@Adilson S. Silva)

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, o espaço é nosso... fico muito feliz, quando chega uma poesia sua...
A poesia é viagem e teoria; nela, os conceitos se tornam acessíveis, passam pela pele... Um texto pede reflexão e , muitas vezes, a reflexão limita ou deforma, a poesia passa direta, afeta.. gera vida.
Abraços com ternura e carinho.
Jorge
PS direi ao Fernado das suas amáveis considerações,