quarta-feira, 27 de abril de 2011

SOCIEDADE DE AMIGOS: A POÉTICA DA EXISTÊNCIA

                        Haiti
                   (Nossa humanidade: Eis a questão!!!)
                                                        
                                 Adilson S Silva

Olhos perdidos, que fitam sem ver.
Emudecidos, fotografam a miséria do espaço.
Olhos sem brilho! Que brilho poderiam ter,
Um olhar perdido, triste, sem pão, sequer um naco...

Mãos que suplicam migalhas oferecidas,
Tímidas e envergonhadas.
Silenciosas mãos estendidas,
Sem esperança, coitadas!

A palavra presa na garganta
Grunhidos sem som, antecedem ao grito
Questionam, humanidade que não se espanta.

O mundo se dividiu entre ricos
Crianças famintas,doce inocência!
Corpos sem leitos esparramados no chão,
Que houve? Perdemos a  decência?
Somos humanos ou não?

                
                       Sobre a vida
          (Um poema para reflexão)
                                              
                                  Adilson S Silva

A dor visita a alma.
Visita e vai embora,
O prazer é passageiro,
Fugaz e estranho,
Vem como uma onda,
Marola, cresce e passa,
Anda por onde a dor anda,
Disfarça a felicidade,
Impede que o amor nasça.

Seja aqui ou acolá,
Não adianta fugir,
O centro da vida
É onde a vida está.




















                   
                     
                       O CARVALHO
                                      Paulo Cecílio

brilha o aço que penetra em baque surdo.
vacila o carvalho.
novo mergulho rompe artérias, dissolve fibras.
balança o carvalho.
por cima da mata, rota de aviões.
abrem-se os braços do carvalho.
volta a lamina em novo golpe.
cospe o carvalho.
brilha o aço que penetra em novo impacto.
espasmos percorrem o gigante,
entranhas pulsam na terra,
longos braços abertos em teia.
volta o machado.
contorce, espuma, o carvalho.
mais fundo fere agora:
o gigante rompe seu silencio. seu sussurro de vento.
estalam seus tendões. enguincha seiva em selva.
vergam seus joelhos. rompem-se fibras.
como águia em céu de abril, mergulha destemida.
inicia sua descida como uma miragem:
vem rugindo, tocando seus dedos rápidos em orquídias, jatobás, palmeiras,
um adeus rápido:
abatida, pousa guerreira a verde ave centenária...


2 comentários:

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

é sempre um prazer ... estar por aqui ... me entusiasma sempre a sua produção ....e a luz que seu blog tem ... abraços meu companheiro ....

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

ADILSON, COMO SÃO BELOS ESTES TEUS POEMAS: POESIA INSURGENTE; ABRAÇOS COM TERNURA