terça-feira, 21 de junho de 2011

BONS ENCONTROS: REFLEXÃO DE PAPEL DA CARTA DA TERRA NA EDUCAÇÃO, ENTREVISTA COM MOACIR GADOTTI

                     MOACIR GADOTTI - DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDOÀ PEDAGOGIA DA TERRA
   
                     ENTREVISTA - PARA O SITE PLANETA SUSTENTÁVEL...

Qual é a importância da Carta da Terra para a educação?
A sustentabilidade foi eleita o conceito-chave na renovação da educação do século 21 pela UNESCO; e a Carta da Terra é reconhecida como o documento orientador dessa “Nova Educação”. É preciso deixar de lado a pedagogia da era industrial, que tem uma visão produtivista e exploratória do planeta. A Carta é um documento fundamental nesse processo de mudança de paradigma: a Terra tem de ser vista não apenas como um corpo astronômico, mas como um ser vivo.

Os educadores estão conscientes de seu papel nessa “Nova Educação”?

O nível de consciência dos educadores é muito melhor do que quando começamos a trabalhar a ideia da sustentabilidade na Rio 92. Naquela época, quem estava ligado a esse tema era chamado de chato e radical. Hoje, isso mudou e aqueles que não se preocupam com o tema são considerados alienados. Eu posso afirmar que a Rio 92 não trouxe todos os resultados que esperávamos, mas, do ponto de vista da conscientização, ela foi um marco.

Qual a melhor metodologia de aplicação da Carta da Terra?
Valores não se ensinam, eles são partilhados e construídos juntos. A metodologia deve ser não impositiva, sempre baseada no diálogo. A ideia é trabalhar pelo exemplo, seguindo aquilo que chamo de “contaminação virótica”. Os alunos vão se contaminando pela vivência, pela discussão e observação de experiências. A merenda escolar, por exemplo, é uma ótima maneira de ensinar sobre a origem dos alimentos, o uso da água, o desperdício e a questão do lixo.

Como é a aceitação do documento pelas crianças?
Elas são extremamente motivadas e têm muito mais sensibilidade que os adultos. Entendem a seriedade do tema, mas sem se assustar. Isso porque a Carta é um alerta que não é feito de forma catastrófica: ela traz soluções e esperança. E essa característica do documento tem tudo a ver com o espírito alegre e inventivo das crianças.

E quais são as dificuldades de implantar a Carta na educação?
Aqui no Brasil, principalmente, existe uma mentalidade muito forte de que são os governos que devem mudar o que está errado. Algumas crianças falam: “Mas quem tem que tirar esse lixo daí é o prefeito”. Então, trabalhamos para ensinar a eles que a mudança é social, mas também é pessoal. Todos somos responsáveis pelo planeta.

Além de despertar a consciência ecológica, o documento ajuda a formar crianças mais cidadãs, então...
Exato. Educar para a sustentabilidade é diferente de educar para a ecologia. A Carta da Terra também se refere aos direitos humanos. Conceitos como justiça social e econômica e paz estão contemplados. A Carta é importante para que se construa os princípios e valores do planeta e do ser humano. Ela mostra que é possível mudar a vida na Terra para uma vida mais digna para todos.

As diferenças culturais e religiosas – tanto entre alunos, como também professores - interferem no processo de educação?
O respeito à diversidade é um ponto muito forte do documento, que nos ensina a não só aceitar e reconhecer a diversidade, mas também a valorizá-la. Por outro lado, a Carta da Terra enfatiza o que todos os habitantes do planeta têm em comum. Temos que analisar primeiro o que nos une e não o que nos separa. A Carta é um grande consenso entre os povos.

Compare o uso da Carta na educação infantil, no ensino médio e universitário.
As crianças estão naturalmente mais abertas a novos conceitos, mas os valores são aplicáveis desde a infância até o doutorado. A Universidade de São Paulo utiliza conceitos de sustentabilidade em seu ensino desde a década de 1980.

Aqui no Brasil, cite um modelo exemplar de aplicação de Carta da Terra na educação.
Em Osasco, na rede ensino da prefeitura, o Instituto Paulo Freire desenvolveu um projeto chamado “Sementes de Primavera”. Nele, as crianças, com sua própria linguagem, desenham declarações de amor à terra, mostram como gostariam que fosse o bairro onde moram, visitam o entorno da escola e fazem uma “eco-auditoria”, identificando problemas, como lixo jogado no chão, e pensando nas soluções. Os projetos, em geral, são baseados em ideias simples. Eu acredito que as ideias revolucionarias são simples e fáceis de fazer.

6 comentários:

Mila Pires disse...

Bom dia Jorge!
Obrigada pela partilha dessa entrevista tão importante para nós enquanto pessoas que amam o universo!
Abraços...com carinho e ternura...
Mila.

Mila Pires disse...

Bom dia Jorge!
Obrigada pela importante partilha...Como sabes, gosto desse tema...vamos caminhando e aprendendo cada vez mais!
Abraços...com carinho e ternura...Mila.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Mila: alegria d+ vê-la... a escola e os temas que hão de refazer a vida é o caminho da educaçãoengajada com a vida e com a mãe terra; abraços ternos jorge

Rosi Alves... disse...

UMA REFLEXÃO VOU POSTAR NO MEU OUTRO BLOGUE ESSA ENTREVISTA SERVE DE BASE PARA TRABALHO ESCOLARES.UM ABRAÇO

Rosi Alves... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosi Alves... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.