segunda-feira, 20 de junho de 2011

CUIDADO - MAGIA DO AMOR

                                Jorge Bichuetti

Da educação à cultura, da clínica às práticas sociais, da da vida familiar aos encontros amorosos, da política ao cotidiano, todos em tudo, são chamados a exercer e vivenciar o ato de cuidar...
O cuidado é permeado de dialogicidade. Exige diálogo : escuta, partilha, compreensão...
O cuidado é relação transversal. Pede a superação da verticalidade dominadora e da horizontalidade uniformizante... É transversal - encontro no entre das vidas singulares.
O cuidado é amor vivido... Generosidade, lágrimas e risos partilhados, atenção, inclusão, solidariedade...
O cuidado é ato emancipatório. O outro é fortalecido e contagiado para ser protagonista de um salto inovador e de surto de reinvenção da vida e do mundo.
O cuidado é alegria. Se labor da vida pela vida, é a alegria de se dar e é a alegria de compartilhar, e também é a alegria de experimentar a libertação.
O ser do cuidado é um agente do amor e da solidariedade...
Villas Boas narra que o pajé , nos povos indígenas, permanece  diuturnamente na cabeceira do enfermo;
O cuidado reclama dedicação.
Um conceito indígena, define com maestria o cuidador... A palavra Txai...
O cuidador é um txai...
Carrega a metade do outro em si e sabe que o outro carrega a sua metade; e, assim, por ele dá sua vida...
Txai - um ser que se dá pela vida.
Não mais um ser pelo próprio ego...
Não mais um ser para o consumismo...
Não mais um ser para o próprio empoderamento...
Um ser pela vida.
Viver é produzir sentidos; é tecer com as próprias mãos um sentido de vida. O sentido da vida.
Txai - o cuidador - logra sentir e viver, tendo como sentido de vida o outro, a própria vida.
O cuidado deixa, deste modo, de ser pensado tão-somente como um arranjo técnico de um ofício.
É um terno e solidário amor...
É um terno e solidário jeito de viver...
É um terno e solidário existir no outro e com outro existir pela vida.
O mundo e o cotidiano, os lares, as escolas, os equipamentos de saúde e de serviços sociais... necessitam de agentes que mais do operadores sejam o cuidado que nasce na vida guerreira e generosa de um txai...
Cuidado-txai: exercícios vivos do amor incondicional...


               Txai 

 Composição : Milton Nascimento e Lô Borges

Txai é fortaleza que não cai.
Mesmo se um dia a gente sai,
fica no peito essa dor.

Txai, este pedaço em meu ser.
Tua presença vai bater
e vamos ser um só.

Lá onde tudo é e apareceu
como a beleza que o sol te deu
é tarde longe também sou eu.

Txai, a tua seta viajou,
chamou o tempo e parou
dentro de todos nós.

Já vai ia levando o meu amor
para molhar teus olhos
e fazer tudo bem,
te desejar como o vento,
porque a tarde cai.

Txai é quando sou o teu igual,
dou o que tenho de melhor
e guardo teu sinal.

Lá onde a saudade vem contar
tantas lembranças numa só,
todas metades, todos inteiros,
todos se chamam txai.

Txai, tudo se chama nuvem,
tudo se chama rio,
tudo que vai nascer.

Txai, onde achei coragem
de ser metade todo teu,
outra metade eu
porque a tarde cai
e dona lua vai chegar
com sua noite longa,
ser para sempre txai.


5 comentários:

Rosi Alves... disse...

Lindo demais seus textos são uma lição de vida amor e reflexão.Eu me emocionei Txai profundo...
mais que amigo
mais que irmao
a metade de mim que existe em você
a metade de você que habita em mim

Rosi Alves... disse...

Lindo demais seus textos são uma lição de vida amor e reflexão.Eu me emocionei Txai profundo...
mais que amigo
mais que irmão
a metade de mim que existe em você
a metade de você que habita em mim

LINDA SEMANA!

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: txai... txai... vida dada à vida na dança do vento que renova o ar e noemergir do sol que inaugura um novo dia... Abraços com carinho; jorge

thaisa disse...

PARABÉNS!!!! UM BELO TEXTO, DIGNO DE APLAUSOS.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Thaisa: obelo do indígena nos permite sonhar com caminhos de cuidado-doação. Abraços. jorge