sexta-feira, 24 de junho de 2011

DIÁRIO DE BORDO: NA ENCRUZILHADA, O SONHO...

                                                       Jorge Bichuetti

Rabiscos, notas... apontamentos do caminho. A vida segue e segue perambulando por becos, trilhas e encruzilhadas... Teimosa e aventureira, busca os territórios das experimentações do novo. Não se acomoda nas grutas, nem se motiva com as estradas de viagem previsível, com destino previamente pronto.
A vida nos deseja nômades: andarilhos que se inventam e que ao se inventarem, inventam novos caminhos, vida nova...
Céu estrelado, Lua entre nuvens... Um convite à meditação. Aos diálogos íntimos entre nós e a multidão que nos povoa...
O quintal, hoje, esteve interditado... Apenas, alguns segundos. Medo da friagem. Lá, estão a vida que me povoa no início de cada manhã... a vida dos meus recomeços. Já acreditava que iria escrever meu diário só. Porém, a Luinha, vencendo a preguiça , a indolência e os sonhos sedutores, despertou e me procurou... Sua lealdade me assusta. Revela nuances do amor que me parecem raras ou extintas da vida humana. O amor incondicional; amor de todas as horas... Aprenderei a amor com o devotamento ada minha pequena Luinha.
Já não me quero aborrecido por pequenos problemas... Por isso, ou melhor, por ela, quero refletir sobre a vida e seus movimentos.
Gostamos da vida escrita nas estrelas: roteiro dado, script definido. Vida programada - rotina e cotidiano inalterável.
Contudo, a vida pede saltos, provoca surtos... Ela cria situações onde somos chamados a uma profunda revisão do vivido e à reinvenção dos nossos passos e dos nossos caminhos.
Na encruzilhada, a vida clama pela ousadia e pela criatividade de se reinventar e de reinventar o mundo.
Toda encruzilhada, é terra de ninguém.. Momento de decisão - escolhas, reinvenções...
O ser humano não gosta do que é... Se queria pronto, definido e definitivo. Todavia, somos inacabamento, obra inacabada, um conjunto de tarefas, um projeto que se desenha nas opções que vamos efetuando no caminho.
E as situações existenciais que nos abalam, que nos desmontam, que nos nocauteam... são encruzilhadas na nossa história de vida: hora do salto, hora do surto. Hora do novo e da mudança; da reinvenção de si mesmo e da transformação dos nossos caminhos e horizontes...
Encruzilhada - é momento de repensar o vivido e de se decidir , se a vida que levamos é vida que supre nosso coração, auscultando a intimidade dos nossos desejos e sonhos.
Quase sempre vivemos para o mundo, divorciados dos nossos anseios mais íntimos.
Na hora de rever nossa vida, precisamos escutar o nosso coração...
Na hora de avaliar o modo nosso de existir, urge perguntar pelo que buscamos na nossa vida...
Costumeiramente, abandonamos nosso próprio coração na beira do caminho e seguimos, atendo aos alvitres do mundo.
Como mudar esta situação?...
Nietzsche acrescentou no conceito de eterno retorno nuances que nos instrumentalizam para selecionar nossa prioridades de vida...
Diz ele que a vida que deve e merece ser vivida é a composta por tudo o que conservaríamos conosco ainda que mil anos e por vidas... o resto é adereço, supérfluo... vida marginal.

4 comentários:

Rosi Alves... disse...

e significante trabalharmos termos sucesso profissional mais aquele amor gostoso que aquece o coração tem que existir...para acolher no fim de um dia e esquentar a noite sobre a luz da lua.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: este é necessário e deve ser buscado; outro há porém que vitaliza incondicionalmente: o amor solidário. O outro maltrapilho e esfomeado dá sentido as nossas vidas
Abraços com carinho , jorge

CLARA disse...

Dr Jorge seus textos me alimentam sempre de esperança
Clara

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Clara, caminhemos. O horizonte azul nos chama para mais um passo... ABS com carinho, jorge