sábado, 18 de junho de 2011

GEOGRAFIA DO CUIDADO - VÍNCULO, ALEGRIA E AMOR

                                            Jorge Bichuetti

Ante as lágrimas da vida e do mundo, urge aprimorar nossa capacidade de cuidar... Muitas vezes, o cuidado assume formas espúrias que decompõe o corpo e a vida dos que sofre... Cuidar é muito mais do que simplesmente dar remédio, solução, explicação... A dor não é anomalia, ignorância ou preguiça... A dor é vida numa encruzilhada. A dor é vida nas bordas de um abismo... A dor é coração dilacerado na solidão...
Ninguém cuida, excluindo...
Ninguém cuida, segregando e estigmatizando...
Ninguém cuida, silenciando...
O cuidado nasce na escuta e se fertiliza no diálogo.
Não é ato vertical, nem suprimento que se oferta segundo um receituário prévio.
Cuidado é encontro e partilha que se desenvolve como vínculo, encargo e corresponsabiização.
Ele é inventado no entre das partilhas da caminhada entre vidas que se vinculam com espírito de amor e alegria.
A mão que seca uma lágrima necessita ser o agente que vive na alegria de inventar para a si e para o outro a alegria de viver.
O cuidado não é ação anêmica, é força efervescente e vitalizante que contagia e transfunde vontade de viver e caminhar.
A tristeza e a sisudez inibe as forças de recomposição da vida potente.
Para que alguém supere  uma condição de dor, necessariamente, a pessoa haverá que ser despertada na sua potência guerreira. Não asfixiada na desvalia da vítima ou da culpa ou ainda do macabro.
Cuidar é incluir, amando... e percutindo no outro para despertá-lo como vida que anda, luta e voa, brilhando no céu da alegria.
A dor paralisa pela solidão despovoada. Cuidar, assim, exige um processo de povoamento da vida alijada e cerceada na momentânea incapacidade.
A dor e o adoecimento se dão num contexto, numa historicidade... Para Canguilhenn são modos de andar a vida... Laurell irá ver relações entre desgaste e reprodução. Urge, deste modo, mapear a dor e ir desmontando as forças destrutivas e ativando, atiçando, intensificando as potências adormecidas, o novo, a mudança
Cuidar é caminhar com...
Nesta caminhada de vida e de liberdade, surge reinventar o cuidado... Redefini-lo. O cuidado vertical, insensível, triste... está falido.
Para isso, deixamos aqui como norte desta reinvenção a compreensão de cuidado em Leonardo Boff.
Para ele, o cuidado é amor, ternura vital, carícia essencial, justa medida, conviviabilidade, compaixão e solidariedade.
Eis o devir dos agentes do cuidado, de todos os querem cuidar e se cuidar...
Cuidar é amor plenificado. Cuidado é sementeira e celeiro do amor.

4 comentários:

Rosi Alves... disse...

Linda reflexão!um abraço bom dia

rmhar disse...

Gostei bastante e compartilhei uma frase no facebook. Beijão

Mara Maciel

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi, uma vida de paz e caminhos renovados na energia da esperança, abraços com carinho; jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Mara, minha gratidão pelo carinho; abraços ternos , jorge