quarta-feira, 22 de junho de 2011

SOCIEDADE DE AMIGOS: NABUT E O RETRATO NU DO CERRADO...

                                    MISERÊ

cabelos besuntados de banha
senhoras cacheadas na ponta
perto das latas de flor

janelas trancadas à taramela
flanelas enfaixam feridas e a febre
assustadas açucenas
acenam brancos lenços de sangue
a macutena alastrou seu visgo
                                  seu chiclete


                            ORATO

Senhora Dona do Desterro
Senhora Cidadã Desemboquense
Nossa Senhora
dos Desterrados ( desenterrados)
que desterre ( enterre)
e leve
o peso desta praga pirracenta
maleitosa
aftosa
que deixa a raiz
na pele no aleijão

                            JOÃO ALBERTO NABUT

DO LIVRO: A POESIA EM UBERABA / GUIDO BILHARINHO

2 comentários:

Rosi Alves... disse...

Amei!um abraço

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: um poeta que narra o cerrado com seus sonhose cotidiano, abraços, jorge