quarta-feira, 22 de junho de 2011

VIDA SOLIDÁRIA E INCLUSÃO SOCIAL VERSUS OS MICROFASCISMOS DA SOCIEDADE MUNDIAL DE CONTROLE

                                                               Jorge Bichuetti

A urbanização capitalista organizou as cidades quadriculando o espaço e o normatizando, para que ele fosse um espaço de sedentarismo e exclusão, de segregação e loteamento das vidas marginais... Marginal, aqui no sentido, de vidas que estão à margem da produção. Neste momento, organiza com base nos asilos, nas instituições totais... O hospício, a periferia, os leprosários, os asilos de idosos e orfanatos, presídios e zonas de especificidade... Tudo segmentarizado, isolado: a vida longe do encontro, com barreiras físicas que cria um grau de comunicabilidade zero.
Hoje, vivemos outro momento... Já não é necessário o asilo, as instituições totais... O controle e a exclusão, permeia a capilaridade do tecido social.
Globalização, internet, celular, condomínios fechados, câmaras de filmagem, normas difusas que pairam no ar...
Contudo, não vivemos uma sociedade inclusiva, solidária e fraterna, terna e libertária.
Somos controlados, mantidos passivos e submissos, vivenciando o modo de ser e  estar da individualismo e da racionalidade prático-instrumental, com o controle afirmativo e de inclusão diferencial. Violência e desumanização camuflada, racionalizada, autojustificada... e permeada de normas sutis e diretivas que vão sendo introjetadas como necessidades nossas...
Neste contexto, há dores na encruzilhada do destino do ser humano...
De um lado, temos a emergência da solidariedade como valor ético e de humanidade que se ergue como a única força capaz de alterar o destino, evitando as grandes catástrofes...
Do outro lado, temos a dor e vida danificada do povo da rua...
Um complexa e eclética comunidade: nômade, sem-teto, que perambulam pela vida no liso das ruas, praças e marquises...
Para as elites dominantes: a escória, o lixo humano... o sujo que enfeia a cidade e perturba os gananciosos homens de bem...
Eis um desafio para as políticas públicas de inclusão social; eis um urgente clamor para os que crêem na solidariedade como força motriz da invenção de um novo mundo possível.
Uberaba, como outros cidades, vive este dilema... E para horror dos que amam a vida, o centro da cidade está cheio de cartazes que dizem: é proibido dar esmola.
Um mecanismo sutil e racional de limpeza urbana... Desumanização camuflada; segregação dissimulada... Violência institucionalizada por normatizações no modo de vida.
Claramente, dão como saída para o sofrimento do povo da rua a exclusão, dizendo:
- é proibido sentir compaixão,
- é proibido amar o outro, o próximo, o homem caído na beira da estrada,
- é proibido vivenciar a partilha e a solidariedade...
Em resumo, é proíbido tentar ser diante da lágrima que cai na fome e na miséria ser um agente da solidariedade.
Os cartazes... negam o humano como força amorosa e nega a diversidade como expressão da vida singular.
Os cartazes... são atualizações fascistas do ódio, do egoísmo, do orgulho e do desamor.
Enquanto, inúmeras cidades acolhem o povo da rua e montam dispositivos de cuidado não segregatórios, estes cartazes pregam a crueldade do abandono...
Estigmatizam, humilham, degradam... estimulam a negação da vida pelos que vendo a lágrima passarão a ver secreção lacrimal. A lágrima é uma vida, com dores, espinhos, chagas e cicatrizes: uma história, uma pessoa, um cidadão...
É preciso indignar-se... Rebelar-se... Insurgir... Lutar por uma vida solidária, amorosa, de compaixão e de inclusão...
De fato, dar esmola é muito pouco... Todavia, é começo, é semente de generosidade e solidariedade...
Dirão, um cartaz é só um cartaz... É, igualmente, começo de fascismo, de ódio e segregação, desumanização e vida aviltada.
No âmago da generosidade existe germes do mundo solidário que há de vir, dando um novo destino para a reinvenção terna e includente da nossa sociedade.
Atrás de cada cartaz, há um pequeno Hitler sendo parido...

8 comentários:

Leka disse...

Realmente a forma como o mundo está gera cada vez mais frieza nas pessoas...uma insensibilidade diante do sofrimento, pois este está se tornando algo tão grande que está sendo banalizado...a vida humana está sendo banalizada.

Ainda que pequena, pra mim toda atitude que tenta ajudar, ou pelo menos amenizar a dor de alguém é válida...muitas vezes é numa pequena atitude que acabamos produzindo a esperança no coração de quem precisa de ajuda.

bjs, paz e belíssimo texto!
http://guerradosmundosleka.blogspot.com/

Rosi Alves... disse...

Bom dia! amei o texto nos remete a pensar que o amor é o melhor caminho e a verdade e a ponte.uma abraço amado poeta.

Tânia Marques disse...

Jorge amado,

Convido-te a seguir o meu novo blog de fotografias. Espero que gostes dele. Ele está em nova URL. Beijos enormes.Depois escreverei com mais calma contando-te sobre o curso, sobre as minhas inferências.

http://myphotographyisart.blogspot.com

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Leka,a solidariedade nos daria um novo mundo - novos caminhos e novos horizontes... Um jeito de amar;nova suavidade. A frieza do mundo nasce do egoísmo, do ter e da exclusão. Ou revertemos os rumos ou nos atolamos na autofágica vida de caos e vazio.
Um carinhoso abraço com carinho, jorge
ps. lhe vistarei assim que parar o consultório

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, querida, estou aqui... gripado e só agora o computador destravoutanto que só consegui 6 postagens , faltou Upop e Adelia Parado... Começou não respondenmdo o pedido de video e de imagens... Estou com saudade. Irei agora, lá nas fotografias e sei que amarei pois o belo lhe acompanha; abraços ternos , jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: o amor é solidariedade viva e vivificante; energia que renova o olhar e dá novo horizonte... Abraços com carinho, jorge

Divâ da Pri disse...

oremos por todos os poderosos.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Diva: e trabalhemos pelos excluídos, sendo mão de amor e voaz indignada na criação da inclusão, abraços,jorge