terça-feira, 21 de junho de 2011

VOOS NA ARTE DE TRISCAR O CÉU...

A poesia nasce nas entranhas da vida - 
vômito de palavras, diarreia de flores;
um sonho feito de gravetos ressecados,
um horizonte pintado com sangue, bílis
e um enternecido voo no azul do céu...

A poesia nasce nas fissuras do corpo
doído, mas enluarado... do poeta e
canta a magia da vida incomensurável... jorge Bichuetti




  OUTRO SILÊNCIO
                                                Paulo Cecílio
 
convulsões estalam tíbias. 

espuma grossa na boca tesa.

sinapses convergem agulhas.

nervos esticam cordas de aço:

                                                          nasce um poema.
 
 
A vida trisca,
          belisca,
    atiça 
  voos matinais
      redes no meio-dia
          olhares no poente
                  amores no luar -
a vida roda e incendeia 
                o corpo
               indigente
                       e a alma adormecida
                                         na esquina
dos améns... jorge bichuetti


miragens moleculares - a poética de Paulo Cecílio:

finalmente
      PAULO CECÍLIO
 ...........penetro num momento em que o silêncio se avoluma como se fosse mais um nó do crescimento. o estranho é que não vislumbro nada após ele, como se um arco de constelações se abrissem num gigantesco funil por onde escoam dores risos gritos angustias pressentimentos lâmpadas queimadas esperanças medos. basta-me calar. calar um silêncio inédito, do qual não se espera movimento, compaixão. calar um silêncio que permita decantar todas as lutas, adentrar aquele espaço onde as dores dos filhos são as dores dos filhos. a fome é de quem tem fome, e a dor do próprio corpo faz leve o que antes limiou o insuportável. sustentar de frente as ultimas fronteiras, em silêncio. agora não divido mais. não compartilho mais. não sou mais solidário. num movimento inusitado, o universo me absolve de desesperos umbilicais, e dissolve na quietude as últimas pedras que trago desde a infância. não me imagino criança, não me imagino velho. apenas não.não vejo heróis. escorro por um imenso funil de estrelas que lambem feridas inertes, e embalam meu torpor lúcido no perdão dos que transpõe todos os portais. agora nada peço, nada divido. aqui não cabem adjetivos solidários ou bandidos. o tempo é outro. é silêncio. contemplo resíduos de indignação, esperança, ou tristeza, como se fossem estranhos que me atravessaram casualmente o caminho. nada tenho deles. nada tenho para eles. percebo que nunca parti. que a saudade morreu...
   
o canto
             manto
mantra
            no cerrado
desepero e desilusão
             e um despertar
novo maor
             passarinhos
              da viração: recomeço do amar na correnteza
nasce no manacá
a solicitude
               dos encantos
                                        do sabiá... jorge bichuetti

             
 UNIERSIDADE POPULAR - UBERABA / MG - SEGUNDO SÁBADO DE JULHO
            um espaço de alegria, partilha, ternura, diálogo e solidariedade

4 comentários:

Rosi Alves... disse...

Boa tarde!amei os poemas e todos os vídeos...suspeita já que amo Renato Russo sim pelas reflexões e não pela depressão que suas ultimas musicas trazia.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: fico feliz, pois sua opinião me ajuda a discernir por onde ir. Abraços ternos. jorge

Anônimo disse...

Dr.Jorge,além da saudade venho dar comprimentos póstumos ao Renato Russo cantando em italiano.
A voz dele aparece muito mais,mais melodiosa,mais forte, alcançando notas altas e belíssimas porque a música tambem é linda.
A música italiana todos nós sabemos
é divina.
Beijos, Denise

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Denise: Renato Russo sempre é forte e uma voz que pulsa no coração da vida; abraços jorge