quarta-feira, 20 de julho de 2011

ENTRE A COMPAIXÃO E A SOLIDARIEDADE

                                         Jorge Bichuetti

A lágrima que cai ácida, corroendo a vida de alguém...
O corpo caído no chão... entre sibilos de agonia e grunhidos de desilusão...
A solidão na vala; o silêncio no olhar perdido no infinito...
A fome e a sede; o frio e o abandono... o corpo embrulhado no jornal cinza...
A dor nos afeta e diante dela, nasce um novo pulsar nos nossos corações: compaixão.
Seguir e esquecer, é a medida prática dos que querem uma vida de risos e gritos... como se  a vida girasse no frenesi de um gol.
Porém, as imagens ficam... persistem e, pouco a pouco, nos contagia. Não conseguimos fugir do mundo e ele pode ser, muitas vezes, cruel e triste.
Uma cachaça no bar; um psicotrópico no lar... anestesiam na consciências as lembranças. Um dia, elas voltam... emergem do inconsciente e nos deprimem.
Vivemos num mundo deprimido e de deprimidos.
Contudo, há saída...
A compaixão pede ação; clama; é clamor da vida. Pede solidariedade.
Se a escutamos, e agindo com solidariedade... mudamos nossa vida, nosso olhar, nosso espaço de existir.
Quebramos as correntes do individualismo e da couraça de insensibilidade... nos humanizamos. Humanizados, passamos a viver impregnados de amor.
O amor é a solidariedade que flui e fluindo nos leva para o oceano da ternura vital.
Enternecidos, re-descobrimos a vida: vida de compaixão, solidariedade e amor.
Já não pensamos somente em nós mesmos...
Já não ruminamos somente os nossos problemas...
Somos paridos para uma nova vida. Uma vida que se tece no encontro com o próximo, com o outro, com a humanidade.
Longe, então, das reverberações narcísicas... aprendemos a ser boa gente.
Passamos a sentir o mundo, a cuidar do mundo, e a lutar por um novo mundo onde na acha no chão a lágrima indignada do desamor; nem a nódoa mortificada da exclusão...
Utopia?... Não, vida aberta aos caminhos do amor.. Vida que acontece nas clareiras da compaixão; vida que se transforma sob a força do clarão que reluz na solidariedade ativa. Amor.

6 comentários:

Concha Rousia disse...

Jorge, meu amigo, gosto dessa tua equilibrada dose de realismo e otimismo, adoro os conceitos que escolhes: 'tenura vital' 'compaixão'... sim e esse deixar de pensar apenas em nós, é isso que nos vais salvando de nos auto-devorarmos rs, nascer no encontro, uma beleza te ler, um nascer no encontro com o encontro em teus textos.. sim cuidar do mundo, amar o mundo... Abraços com ternura e amor, para ti e o mundo todo que te visite. Concha

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Concha: amar a vida e o mundo, com ânsia de mudança... um caminho que me dá sonhos, ternas esperanças é árduas lutas: sentido. Abraços com carionho e voos mde passarinho; jorge

Tânia Marques disse...

Jorge, feliz Dia do Amigo e que nossa amizade seja eterna. Beijos

Hermenêuticas de Lou disse...

Os que relutam contra a verdade, contra a solidariedade, contra a compaixão, sempre ouviram gritos estremecidos a zoarem-lhes os ouvidos; risos de crianças a causarem-lhes remorços. A verdade está em suas palavras que mostram o clamor das almas sedentas por respostas que lhes justificam o existir. Boa noite Jorge... Abraço com carinho e admiração. Lou Moonrise.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia: nossa amizade seguirá caminhos estelares entre as flores lunares e os ventos de aquarius... Ternura, beijos, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Lou: meu carinho e minha alegria pela partilha... ressonâncias que fazemos viver. Abraços ternos, jorge