terça-feira, 8 de novembro de 2011

DIÁRIO DE BORDO: SUAVIDADE E ÉTICA...

                                          Jorge Bichuetti

O céu azul, claro... o dia aberto com o roseiral brotando novas flores... Um dia. No quintal, aspiro o verde e refaço minhas energias... Os pássaros cantam... Um novo ninho, no meio dos álamos, me enternece... Vejo-me: sereno, alegre e cheio de esperanças...
Ah! como seria belo, se o mundo tivesse a beleza e a altivez que recolho da paz que preside a vida no meu quintal!
Mas, não... aqui, estou... pegando um livro para ler, temeroso que abrindo o jornal ou ligando a TV, descubra que o meu quintal é só o meu quintal... Lá fora, a desassossego e o medo... a tirania e a vida banal...
Um jornalista assassinado; um deputado buscando um pouco de segurança, longe dos tiroteios que matam e vampirizam a democracia... onde a legalidade copula, livremente, procriando com a ilegalidade o pânico, o medo, uma generalizada insegurança... Ministros são decapitados... a corrupção subterrânea são vielas por onde trafegam a marginalidade e o poder, de mãos dadas... gerando um país pulverizado, com uma solidez econômica associada a uma liquidez ética.
Nada mais é seguro; nada mais é sólido...
A Anistia Internacional, confirma os dados da Pastoral da Terra: há uma multidão de ameaçados de morte...
E nós, no cotidiano, diante do medo, da instabilidade e do terror institucionalizado... sabemos que somos outra multidão com nossas vidas suprimidas no encolhimento, na retração, na prevenção...
Vivemos tempos difíceis... o fascismo se capilarizou e já não se centra num locus privilegiado, ele oprime à luz do dia e exclui, inclemente, com sua face exposta nas fotos do dia-a-dia... não escondendo seu gozo com a perversidade.
Que faremos?... Esperaremos, acovardados, a próxima bala...
Urge agir... e agir, agora, é lutar...
Para lutar, não podemos escamotear a pergunta que temos evitado: que mundo queremos?...
Nunca foi tão necessário exercer a capacidade de opinar...
Na rua e nas escolas; nas fábricas e no planalto central... pulsa a mesma pergunta: queremos o poder da brutalidade ou a potência inovadora da suavidade?... queremos a vida como exercício ético ou a queremos como corrupção subterrânea, escoadouro de privilégios?...
Não vale dizer que não somos protagonistas dos grandes desastres...
Os grandes desastres só são acolhidos pela vida de uma maioria que subsiste na maquinação dos pequenos desvios...
Somos responsáveis... somos convocados à luta pela vida que se sonha vida de ternura, honestidade, compaixão e solidariedade...
As grandes calamidades que nos amedrontam... é a tirania que prevalece sempre que na esperteza da nossa comodidade, desejamos paz sem justiça social; amor sem partilha; cidadania sem a ética do bem comum...

7 comentários:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Jorge! Passando para te cumprimentar e apreciar teus belos posts.

Abraços e muita paz pra ti e para os teus.

Furtado.

Anônimo disse...

Querido, hermano, te saludo noble guerrero:
El corazón desgarrado aunque los latidos sean los de repiqueteo colectivo, el cuerpo hecho jirones aunque las viseras sean las que nacen de las entre pieles/encuentros..... gracias por las poéticas, alguna luz llega en tanta maldita oscuridad.

Philippe Dutra disse...

Perfeito!

Philippe Dutra disse...

Perfeito!

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Furtado, meu carinho; abs ternos, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Querido amigo y hermano, eres nuestro sendero...la oscuridad no nos impide de ver en el camino la verdad de tu corazón, un corazón que que se da a l sueño de la justicia y del bien de todos... Luego, espero que podamos estar juntos celebrando la victoria de la libertad y planteando trabajos nuevos de solidariedad y compasión... Tu amistad es un honor que me sostiene en la vida con esperanza y fe. te queremos mucho. Abrazos con ternura, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Phillipe: um carinhoso abraço, e minha alegria de vê-lo com o coração cheio de vida; abs ternos, jorge