quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SOCIEDADE DE AMIGOS: A HUMANIZAÇÃO DA VIDA NA POESIA DE PAULO ANDRÉ LACERDA ALVES

                       UMA NOVA SUAVIDADE, NO SILÊNCIO DO MUNDO
                  Paulo André Lacerda Alves

E se em um breve momento o mundo todo parasse de falar
De contar seus feitos épicos
De chorar seus amores egoístas
De buscar filosofias vãs na auto-ajuda

E olhássemos uns para os outros
Perdoássemos o pecado do outro
Perdoássemos nossos próprios pecados
Víssemos no céu rubro de fim de tarde
Paz e luz como uma inédita melodia

Então não doeria tanto viver
A face malicenta do ignorante
Não mais carregaria o peso do erro
Mas a compaixão pelo que tem fome

A fome de amor
A fome de comida
A fome de esperança
A fome de não sentir mais dor

E então buscássemos ver que o que nos move
Se perde em meio ao tufão de pura insegurança
Tornando-nos uma máquina dura de guerra
Por um viver sem razão

A desrazão que obnubila
A desrazão que olha para si
A desrazão que vê no ego
O amor edípico de um paraíso triste

Ao pararmos em um breve momento
Guerras cessariam
Daríamos as mãos
Ergueríamos um novo mundo

Mundo maduro e consciente
Das dores que viveu e do que quer plantar
Mãos guerreiras voltadas a uma nova era
De mais plenitude e esforços aproveitados

Gozar então de uma paz poucas vezes sentida
Que dê mais sentido nos atos que incorremos
Que nos torne assim: fortes
Que nos leve ao além do humano

2 comentários:

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Belo texto .. profundo, que trafega entre a acidez e a transcendencia ...do encontro apaziguador das possibilidades da nossa humanidade ...pbens .... abçs

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, vê como a vida é pródiga; nós caminhando com a nova geração... mirando o mesmo horizonte; abs ternos; jorge