domingo, 22 de abril de 2012

POESIA: TERNURA LUNAR... NOITE ESTRELADA...

                              NO ESCURO
                                            Jorge Bichuetti


No escuro, a vida titubeia:
 ... no meio da veia há
o sangue que ferve no medo,
prelúdio da coragem 
            que num salto de gato
acende u' a vela... arma trincheiras... canta
no luar o céu estrelado... farol da escuridão,
vida de resistência 
            na boêmia esperança do
caminho, sol nascente... 
                  canto de espera
pela vida teimosa que clareia... clareiras,
novo ânimo, 
        sonhos nas floradas... 
                  assim,
a poesia no beco tece 
                     pontes e fontes;
um tempo de suavidade no sereno da aurora...


                           DE NOITE...
                                 Jorge Bichuetti


De noite, a solidão silencia
a voz do horizonte... 
só se escuta
as pulsações de paixão,
acordes tristes de um coração...


De noite, é tempo de poesia, tempo 
de magia... flores na capela do infinito
que antecipa a aurora... e, longe, canta:
as visões da utopia,
o renascer guerreiro da própria alegria...


De noite, a vida faísca entre
os becos nostálgicos do que vivido foi
e os voos da vida nova que germina 
a sementeira do porvir
na aurora orvalhada que fora amanhece,
mas que dentro corre no bailado dos glóbulos vermelhos,
fertilidade da da horta... 
onde trigos e flores, 
estrelas e ervas verdejantes
pulsam e bailam, carregando o ovo da vida,
sonhos de meninos, passarinhos e guerreiros, 
fazendo do corpo
um sacro e profano
altar da natureza, lascas do infinito
no coração do povo...

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