quarta-feira, 14 de novembro de 2012

POESIA: FOGÃO-DE LENHA NO CERRADO...

                  NO CERRADO
                         Jorge Bichuetti

No cerrado, 
o fogão-de-lenha
tece gostossuras,
 aquece a aridez
dos caminhos íngremes da luta,
onde, entre as flores e os pássaros,
a relva e o cascalho 
contam dores,
da nossa natureza aviltada... vive-se,
entre batalhas, 
na saudade das gabirobas
que nos lembram o tempo antigo
da vida nas cachoeiras: 
poesia na avidez 
das noites enluaradas...

Éramos um na multidão passarinheira
nas cores das flores 
que vento fazia dança;
a gente... namorava 
o horizonte na chuva;
quietos, poéticos, seresteiros... 
nascentes de u' nova mineiridade... 
agora, com o corte
das frondosas árvores e arbustos, degustamos
no café quente as
nossas  recordações
de um tempo-cerrado. 
Nele, cidadania 
era a flor da amizade...


                     LUA NO SERTÃO
                               Jorge Bichuetti

Lua cheia: magia da paixão
no sonho menino, acordes de acordeón...

Campo de beleza singular
na festeira vida de nunca perder
nossa rezadeira esperança que era
u'a fogueira, u'a ciranda... u'a inocência
vital, num tempo em que amar era
a simplicidade dos vagalumes
incendiando corpos na arte
de fecundar as vidas já em si entrelaçadas...


2 comentários:

Metalurgia das letras disse...

Lindo... lembrou-me o "Norte de Minas" e este maravilhoso cerrado do qual faço parte. Salve Jorge!

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Obrigado pelo carinho: sertão, cerrado - terras agrestes na dor da exclusão; lisas no sonho de sendo encruzilhadas, srem terra abertas aluta entre o ontem e o porvir. abs ternos com imenso carinho, jorge